Moraes quebra sigilos de holding ligada a Willer Tomaz
Alexandre de Moraes quebra sigilos de empresa ligada a Willer Tomaz e decreta bloqueio de bens em investigação sobre fraudes financeiras
- Publicado: 24/10/2026 20:22
- Alterado: 24/10/2026 20:22
- Autor: Gabriel de Jesus
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de uma das holdings de Willer Tomaz. A decisão judicial atinge diretamente os negócios do advogado e empresário, cuja proximidade com figuras do cenário político de Brasília, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está sob escrutínio de autoridades policiais e de órgãos de controle.
No despacho, o ministro ordenou que as informações financeiras vinculadas a Willer Tomaz sejam encaminhadas ao STF no prazo de 24 horas após a notificação oficial. A determinação contempla ainda o cancelamento dos passaportes do investigado — inclusive de um documento diplomático —, a suspensão das atividades empresariais de suas companhias e o bloqueio de ativos móveis e imóveis que alcançam o montante de até R$ 6 bilhões.
Desdobramentos da Operação Sem Desconto e conexões políticas
As medidas cautelares inserem-se no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de fraudes e desvios de recursos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As apurações apontam transações financeiras e patrimoniais atribuídas a Willer Tomaz em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA), com quem manteria vínculos patrimoniais.
Segundo os relatórios da investigação federal, uma pessoa jurídica pertencente ao advogado adquiriu por R$ 6 milhões um imóvel de alto padrão apontado como a residência de Weverton Rocha. Os investigadores descrevem Willer Tomaz como um elo central de suporte logístico e patrimonial do parlamentar. Tanto o defensor quanto o congressista maranhense negam a prática de ilícitos.
A apuração também se estende a depoimentos colhidos no setor de inteligência da PF, como as declarações de um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — citado nas apurações como “Careca do INSS” —, que indicou o transporte aéreo de familiares do senador em aeronaves particulares controladas pelo grupo.
Setor de apostas e representações ao Supremo
Além do foco em desvios previdenciários, a Polícia Federal analisa operações de evasão de divisas e lavagem de capitais envolvendo plataformas de apostas esportivas e empresas de meios de pagamento associadas a Willer Tomaz. Desde a regulamentação do segmento, a movimentação financeira atribuída ao operador nesse filão atingiu cifras de R$ 6,3 bilhões, concentradas quase integralmente em jogos online e modalidades de cassino virtual.
Na semana passada, a PF encaminhou ao Supremo um pedido de abertura de inquérito para averiguar indícios de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e Flávio Bolsonaro. Questionada, a equipe do senador pontuou que o parlamentar não figura como investigado na Suprema Corte, reiterando que o material remitido ainda aguarda análise do Ministério Público e decisão judicial.
Diante de reportagens que apontaram o pagamento de voos internacionais e sociedades indiretas em plataformas no exterior, Flávio Bolsonaro declarou publicamente que a relação com o empresário é estritamente pessoal: “Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”.