Milei cria norma contra ataques de estrangeiros à Argentina
Governo de Milei afirma que defesa dos cidadãos e símbolos nacionais não é negociável após ataques contra a Argentina
- Publicado: 30/07/2026 10:49
- Alterado: 30/07/2026 10:49
- Autor: Daniela Penatti
O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou um decreto que impede a entrada ou determina a expulsão de estrangeiros que promovam discursos de ódio, discriminação ou violência contra argentinos por causa da nacionalidade.
A medida foi divulgada pelo gabinete da Presidência argentina nesta quarta-feira (29) e, segundo o governo argentino, representa uma resposta a “recentes manifestações de hostilidade” contra o país.
O DNU (Decreto de Necessidade e Urgência) estabelece sanções para estrangeiros que ataquem a Argentina ou pratiquem atos considerados ofensivos aos símbolos nacionais. A norma prevê tanto a proibição de entrada quanto a retirada de pessoas que se enquadrem nos critérios definidos pelo governo.
Em comunicado oficial, a Presidência argentina afirmou que a proteção dos cidadãos e dos símbolos nacionais é uma prioridade que não pode ser negociada. “Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”, declarou o governo de Milei.
“Diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável. Quem atacar a República Argentina não será bem-vindo em nosso país”, informou o Gabinete da Presidência.
Decreto de Milei ocorre em meio a crise com o Brasil

Javier Milei afirmou, durante passagem por São Paulo, que confia em Flávio Bolsonaro (PL) para “deter o lixo socialista”. A declaração ocorreu durante a convenção que oficializou o senador como candidato à Presidência pelo partido.
O presidente argentino também chamou um ministro do Supremo Tribunal Federal de “lixo careca”. A ofensa foi direcionada a Alexandre de Moraes, que havia proibido uma visita dele ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Sei que Lula se cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández”, afirmou Milei.
O jornal argentino La Nación informou que a Casa Rosada não pretende pedir desculpas a Brasília pelas declarações de Milei. A informação teria sido repassada por um alto funcionário do governo argentino.
Governo brasileiro reage às declarações de Milei

“Quem é esse cara?”, afirmou Lula ao responder, de forma irônica, a jornalistas que perguntaram sobre as falas feitas pelo presidente argentino durante o fim de semana.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou os ataques do presidente argentino Javier Milei ao Brasil como “lamentáveis”. Segundo Alckmin, Milei presta um desserviço ao próprio país ao se envolver de maneira considerada grosseira em assuntos internos brasileiros.
O episódio provocou uma crise diplomática inédita entre Brasil e Argentina. Após o caso, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos.