Microsoft diz que IA foi mais precisa que médicos em testes

Ferramenta de inteligência artificial analisou 300 casos médicos complexos e obteve o dobro de precisão na investigação clínica inicial.

Microsoft diz que IA foi mais precisa que médicos em testes

Crédito: Unsplash

A Microsoft desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de superar médicos generalistas em testes de diagnósticos. Pesquisadores da empresa publicaram o resultado do estudo nesta quinta-feira (22) na revista Science. A tecnologia registrou mais que o dobro de precisão na identificação das doenças durante a análise de cenários de alta complexidade.

O sistema opera em etapas sucessivas para investigar o histórico de cada paciente, espelhando a conduta clínica tradicional. Ele decide quais perguntas realizar primeiro e seleciona as informações relevantes do exame físico preliminar. A ferramenta escolhe os exames laboratoriais necessários, avalia os resultados obtidos e solicita novas checagens.

Como a IA da Microsoft processa os diagnósticos

Inteligência Artificial - IA
(Freepik/Magnific)

Um sistema central chamado orquestrador coordena o levantamento de hipóteses e simula um painel de especialistas trabalhando em conjunto. Os pesquisadores testaram a tecnologia com mais de 300 casos médicos incomuns e difíceis. O modelo superou profissionais humanos que tinham acesso irrestrito a livros e pesquisas na internet.

O diferencial do projeto da Microsoft reside na abordagem fragmentada e investigativa da doença. Modelos anteriores avaliavam os sintomas e imagens de forma simultânea, focando frequentemente em questões limitadas de múltipla escolha para validar o treinamento.

“A IA ficou muito boa em acertar 100% dessas questões. Mas, é claro, isso não corresponde ao mundo real. Nenhum paciente jamais chegou ao meu consultório com um resumo bem organizado”, afirmou Dominic King, vice-presidente corporativo de saúde da empresa.

Próximos testes e redução de custos

Os processos de investigação conduzidos pelo sistema custaram menos do que as avaliações feitas pelos médicos humanos. A equipe da Microsoft destaca que a plataforma consegue otimizar os recursos hospitalares enquanto mantém o rigor científico na análise clínica.

“Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também medimos o cuidado e o critério com que eles conduzem uma investigação diagnóstica”, explicou Harsha Nori, chefe de inteligência artificial em saúde da companhia.

A próxima fase do projeto envolve testar a eficácia do modelo diretamente na triagem de pacientes em salas de espera. Essa etapa acontecerá no Beth Israel Deaconess Medical Center, localizado em Boston. A expectativa da Microsoft é validar o uso da ferramenta no fluxo real de atendimento de um pronto-socorro.

Thiago Antunes

  • Publicado: 23/10/2026 15:31
  • Alterado: 23/10/2026 15:31
  • Autor: Thiago Antunes