Meta apresenta óculos inteligentes sem câmera e novos dispositivos
Dispositivo foca em comandos de voz para contornar problemas de privacidade. Empresa também atualizou a linha tradicional com lentes.
- Publicado: 24/09/2026 09:38
- Alterado: 24/09/2026 09:38
- Autor: Thiago Antunes
A Meta lançou na quarta-feira (23) uma nova linha de óculos inteligentes durante sua conferência anual de tecnologia. O destaque do evento foi a apresentação de um dispositivo sem câmera, criado como resposta direta às críticas sobre a possibilidade de gravar vídeos de pessoas sem elas perceberem.
Detalhes dos óculos inteligentes sem câmera

Batizado de Ray-Ban Meta Audio, o óculos inteligente prioriza o uso de comandos de voz e a privacidade. O equipamento opera em conjunto com o Muse, agente de inteligência artificial da Meta lançado no início de setembro.
Os recursos e especificações do novo modelo de áudio incluem:
- Captação de voz durante chamadas com nível de clareza superior à de fones de ouvido convencionais.
- Reprodução de música e podcasts de forma totalmente livre do uso das mãos.
- Execução de funções via inteligência artificial, como orientações de treinos, registro de refeições, pesquisas, organização de agenda e compras online.
- O hardware fornece grande autonomia e os aparelhos funcionam por até 12 horas com uma carga completa.
- A estrutura física é leve e os óculos pesam apenas 43 gramas.
- O catálogo oferece 23 combinações de cores e lentes, comercializadas nos estilos Clubmaster (visual retrô) e Burbank (formato retangular).
- As unidades custam a partir de US$ 349 (cerca de R$ 1.800) nos Estados Unidos, com previsão de lançamento oficial no Brasil.
O movimento da fabricante acompanha uma tendência do mercado de dispositivos vestíveis. A Even Realities lançou seu modelo em 2024, apostando na ausência de lentes para reduzir o receio de gravações escondidas. A Snap disponibilizou sua versão de R$ 11 mil em junho, enquanto a OpenAI segue desenvolvendo seu primeiro aparelho físico.
Atualizações da versão com câmera e realidade virtual

A Meta manteve a produção de sua linha de captura visual e anunciou a terceira geração do Ray-Ban Meta, a versão convencional de seus óculos inteligentes. O formato tradicional continua enfrentando resistência, levando restaurantes, pubs e teatros no Reino Unido a restringirem a entrada de clientes com os dispositivos.
O cenário jurídico também é complexo. Uma ação coletiva em curso na Califórnia acusa a big tech de coletar fotos feitas com os óculos inteligentes para treinar sistemas autônomos. Os autores do processo alegam a ocorrência de registros indevidos de pessoas trocando de roupa, usando banheiros e manuseando informações financeiras. A empresa contesta judicialmente todas as alegações.
As características da nova geração tradicional e outros anúncios envolvem:
- Equipamento com um sensor de 12 megapixels para a captura fotográfica.
- Sistema capaz de registrar vídeos com resolução 3K Ultra HD.
- Manutenção do LED frontal luminoso para alertar terceiros sobre o funcionamento da câmera.
- O sistema de energia foi aprimorado e os aparelhos suportam nove horas de bateria com carga única.
- O catálogo apresenta 27 combinações de cores e lentes distribuídas em três estilos de armação.
- O modelo convencional chega ao mercado por US$ 449 (cerca de R$ 2.300).
- Apresentação dos Meta VR Glasses, projetados para fornecer imersão cinematográfica no ambiente de realidade virtual.
- Lançamento do Muse Charm, um hardware interativo semelhante a um Tamagotchi, construído para materializar o assistente virtual da marca.
A diversificação do portfólio indica uma tentativa de equilibrar o avanço tecnológico com as crescentes demandas civis por privacidade. A introdução de óculos inteligentes sem capacidade de filmagem estabelece uma nova categoria para consumidores interessados em conectividade e assistência digital, mas avessos aos questionamentos éticos da vigilância por imagem.