Lula declara R$ 4,7 milhões ao TSE, 36,5% menos que em 2022
O registro do petista revela uma retração milionária impulsionada pela movimentação de recursos em seus planos de previdência privada.
- Publicado: 08/08/2026 16:12
- Alterado: 08/08/2026 16:12
- Autor: Thiago Antunes
O presidente Lula apresentou sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando uma redução de R$ 2,6 milhões no patrimônio em comparação ao pleito anterior. O candidato informou possuir R$ 4,7 milhões em bens para a disputa eleitoral de 2026.
O montante atual representa uma queda substancial frente aos R$ 7,4 milhões declarados em 2022, ano em que venceu a corrida presidencial. A equipe de campanha do chefe do Executivo não comentou as alterações nos valores enviados à Justiça Eleitoral.
Motivos para a retração financeira de Lula
A principal causa da desidratação patrimonial envolve as aplicações em previdência privada. Lula possuía um único fundo do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) avaliado em R$ 5,5 milhões na eleição passada.
O cenário mudou na atual prestação de contas, que lista dois planos de aposentadoria complementar que somam R$ 3,3 milhões no total. Outros fatores incluem a ausência de créditos decorrentes de empréstimo pessoal e o fim da devolução de valores bloqueados judicialmente.
O inventário imobiliário sofreu baixas significativas no período. O político registrou apenas 50% de um apartamento de R$ 94 mil em São Bernardo do Campo, descartando outras duas propriedades paulistas apontadas no documento antigo. A frota pessoal diminuiu para um único veículo de R$ 50 mil.
Manutenção de bens e histórico judicial
Alguns ativos permaneceram estáticos na nova prestação. O documento mantém três terrenos e uma obra residencial no interior paulista, acompanhados de cotas da empresa de palestras L.I.L.S. e novos aportes financeiros em fundos imobiliários.
A declaração de Lula perpetua um crédito ligado à Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários). O montante refere-se à aquisição de cotas do edifício em Guarujá, imóvel que centralizou as investigações da Operação Lava Jato na década passada. A defesa sempre rechaçou qualquer favorecimento da construtora OAS neste caso.
Vice registra crescimento enquanto TSE limita dados
O candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) trilhou o caminho inverso e informou um avanço patrimonial, atingindo R$ 3,3 milhões em 2026. O pessebista multiplicou seus investimentos em renda fixa e previdência privada neste intervalo de quatro anos.
A chapa governista aproveitou o registro para formalizar as diretrizes do eventual quarto mandato presidencial. O plano entregue à Justiça propõe o fim da jornada de trabalho 6×1, a regulamentação do ambiente digital e a revisão estrutural do atual sistema de emendas parlamentares.
O sistema oficial concentra as informações de todos os postulantes, incluindo adversários já registrados como Romeu Zema (Novo), dono do maior patrimônio da disputa até o momento com R$ 178,8 milhões declarados. Especialistas criticam o tribunal pela ocultação de detalhes específicos dos imóveis e veículos baseada na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), uma política de sigilo que atinge diretamente a transparência das informações públicas de todos os concorrentes, incluindo a candidatura de Lula.