Ao Washington Post, Lula chama tarifas dos EUA de "erro estratégico"

Em artigo publicado no Washington Post, presidente afirma que as tarifas impostas pelos Estados Unidos prejudicam as duas economias e defende diálogo entre os países.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal Washington Post neste domingo classificando as novas tarifas dos EUA como um erro estratégico de Donald Trump. O governo norte-americano decidiu adotar taxas que variam de 12,5% a 37,5% contra produtos brasileiros. A decisão ignora dezenas de reuniões técnicas e o superávit de 428 bilhões de dólares que os americanos acumulam no comércio bilateral em 15 anos.

A organização independente Global Trade Alert aponta que o mercado brasileiro se tornou o segundo mais taxado pelo governo norte-americano, atrás apenas da China. As exportações nacionais caíram para o menor patamar desde 1997. No primeiro semestre de 2026, a troca comercial com o país recuou 12,8%.

Consequências das tarifas dos EUA para a economia

As barreiras alfandegárias prejudicam diretamente segmentos industriais americanos dependentes de insumos nacionais, como alimentos, calçados e autopeças. O encarecimento dos produtos atinge o consumidor final na ponta da cadeia. “Essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas”, alertou Lula no texto.

O cenário afasta empresas locais dos fornecedores norte-americanos. As relações comerciais com outras regiões avançam rapidamente no vácuo provocado pelas sanções. O comércio com a União Europeia cresceu 6,1% e o volume de trocas com os chineses aumentou 15,9% no mesmo período avaliado.

Rejeição às justificativas políticas e defesa da soberania

A motivação das sanções carrega um forte viés político e intervencionista. O chefe do Executivo relembrou que a primeira imposição das tarifas dos EUA citava nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso pela tentativa de golpe de Estado. A tensão diplomática escalou recentemente quando o secretário de Estado qualificou o Brasil como um país não-amigo.

As alegações utilizadas para justificar as punições financeiras carecem de evidências práticas. O presidente defendeu a atuação nacional na proteção de crianças contra abusos nas redes sociais e exaltou a criação do Pix como referência global de tecnologia financeira. Ele reforçou a redução drástica do desmatamento a partir de 2023. “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, cravou o mandatário.

Busca por parcerias construtivas na América Latina

A América Latina busca parceiros confiáveis para fomentar o desenvolvimento socioeconômico, distanciando-se do uso de porta-aviões ou ameaças arbitrárias. O artigo destaca momentos em que Washington adotou posturas diplomáticas de sucesso, citando as gestões de Franklin D. Roosevelt e George W. Bush como exemplos de integração institucional e respeito.

A reciprocidade norteia a diplomacia brasileira na defesa contínua do comércio justo e do investimento em tecnologia. O Palácio do Planalto descarta qualquer subserviência ou imposição de amarras ideológicas na relação externa. A reversão das tarifas dos EUA exige diálogo aberto e a certeza de que o destino nacional compete exclusivamente aos brasileiros.

  • Publicado: 26/07/2026 12:15
  • Alterado: 26/07/2026 12:15
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria