Lula aposta em campanha no Rio para ampliar votos em 2026

Lula aposta em uma aliança com Eduardo Paes e Benedita da Silva para ampliar votos no Rio de Janeiro nas eleições de 2026

Lula aposta em campanha no Rio para ampliar votos em 2026

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera o Rio de Janeiro um dos estados estratégicos para ampliar a votação do petista em relação às eleições de 2022. Neste sábado (22), Lula participa de um ato na capital fluminense, marcando a estreia da campanha no estado. O evento será realizado no estádio da Moça Bonita, em Bangu, e faz parte de uma estratégia que pode incluir outras duas atividades no Rio de Janeiro ao longo da campanha.

Lula aposta em palanque ampliado no Rio

A avaliação da campanha é que Lula poderá melhorar seu desempenho no estado a partir de uma composição política mais ampla. No ato deste sábado, o presidente estará ao lado do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), que lidera as intenções de voto para o governo estadual nas principais pesquisas, e da deputada federal e ex-governadora Benedita da Silva (PT), que aparece bem posicionada nas sondagens para o Senado.

Segundo dirigentes petistas, o palanque de Lula no Rio será mais amplo do que o construído em 2022, quando o candidato apoiado pelo partido ao governo estadual era Marcelo Freixo (PT). Naquela eleição, apesar de ter moderado o discurso durante a campanha, Freixo enfrentou resistências que limitaram seu desempenho no estado.

A estratégia ganha importância diante do histórico eleitoral do Rio de Janeiro. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro (PL) obteve 56,53% dos votos válidos no estado, enquanto Lula ficou com 43,47%. O Rio também é considerado um importante reduto político da família Bolsonaro e é o estado pelo qual Flávio Bolsonaro (PL), atual senador e candidato à Presidência, foi eleito em 2018.

Campanha avalia atos para evangélicos e segurança

Além do evento deste sábado, a campanha de Lula avalia realizar outros dois atos no estado. Entre as possibilidades estão eventos voltados ao eleitorado evangélico e à discussão sobre segurança pública, dois segmentos considerados estratégicos para ampliar o apoio ao presidente durante a disputa eleitoral.

A realização de um evento específico para evangélicos ainda está em avaliação, mas o Rio de Janeiro é considerado o local preferencial caso a atividade seja confirmada. A presença de Benedita da Silva no palanque é um dos fatores considerados pela campanha, devido à influência da petista entre setores religiosos e à sua trajetória política no estado.

A necessidade de conquistar espaço entre os evangélicos também aparece nos levantamentos eleitorais. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) aponta Flávio Bolsonaro na liderança entre os eleitores desse segmento. O levantamento ouviu 2.058 pessoas em todo o país entre os dias 18 e 19 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Segurança pública é foco estratégico

Outro tema considerado prioritário pela campanha de Lula é a segurança pública. A realidade do Rio de Janeiro, marcada pela atuação de organizações criminosas e pelos desafios enfrentados pelas forças de segurança, torna o estado um cenário considerado adequado para a realização de um ato específico sobre o assunto.

Uma das principais propostas apresentadas por Lula para a área durante a campanha é a criação de um Ministério da Segurança Pública. A medida, segundo o plano eleitoral do petista, dependeria da aprovação pelo Congresso Nacional de uma emenda à Constituição que amplie as atribuições do governo federal na área.

A escolha do Rio para discutir o tema também busca aproximar Lula de um eleitorado que historicamente apresenta preocupações relacionadas à violência e ao crime organizado. A campanha pretende apresentar propostas de atuação federal na segurança como parte de uma estratégia para ampliar a presença do presidente em regiões onde seu desempenho eleitoral ficou abaixo do registrado em outras partes do país.

Aliados de Flávio contestam força de Paes

Do outro lado da disputa, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro questionam a avaliação de que Eduardo Paes tenha força suficiente para garantir uma ampla vantagem eleitoral no estado. A aposta do PL é que Douglas Ruas, candidato ao governo estadual, ainda pouco conhecido pelo eleitorado, possa crescer com o início da propaganda eleitoral gratuita.

A propaganda no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e é vista pelo grupo como uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre Douglas Ruas. A estratégia também prevê associar o candidato estadual à imagem de Flávio Bolsonaro, numa tentativa de aproveitar a força política do senador entre os eleitores fluminenses.

O movimento mostra que o Rio de Janeiro deverá ocupar espaço relevante na estratégia dos principais grupos que disputam a eleição presidencial e estadual. Para Lula, o objetivo é reduzir a diferença registrada em 2022 e ampliar sua votação em um estado considerado importante para a construção de uma eventual vitória nacional. Para o grupo de Flávio, a prioridade é preservar a força política da família Bolsonaro em seu principal reduto eleitoral.

  • Publicado: 22/08/2026 12:40
  • Alterado: 22/08/2026 12:40
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC