Livraria Alpharrabio pode virar patrimônio cultural no ABC
Com apoio do Consórcio ABC, mobilização reúne assinaturas até 31 de outubro para tornar a tradicional Alpharrabio patrimônio imaterial de Santo André
- Publicado: 29/10/2026 11:52
- Alterado: 29/10/2026 11:52
- Autor: Daniela Ferreira
Com uma trajetória de mais de três décadas dedicada à circulação literária, ao incentivo das artes e à preservação da memória regional, a Alpharrabio Livraria e Editora é tema de um movimento coletivo que solicita seu reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial de Santo André.
A iniciativa conta com o apoio institucional do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e reúne assinaturas da sociedade civil até o próximo sábado (31).
O requerimento foi protocolado junto à Secretaria de Cultura de Santo André e encaminhado para deliberação do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (COMDEPHAAPASA).
O pedido solicita a abertura formal de um processo técnico para analisar o tombamento imaterial do espaço, respaldando-se em sua atuação continuada como centro difusor de debates, publicações independentes e encontros comunitários.

Fundada e conduzida pela escritora, pesquisadora e agente cultural Dalila Teles Veras, a Alpharrabio está instalada no bairro Jardim Bela Vista, em Santo André. Ao longo de seus mais de 30 anos de existência, o local estabeleceu-se como polo de lançamento de livros, realização de saraus, exposições visuais e debates que conectam criadores locais a pesquisadores e leitores de todo o Estado.
Trajetória de Dalila Teles Veras e acervo documental
A relevância da Alpharrabio articula-se diretamente com o histórico de atuação de sua fundadora nas formulações públicas do Grande ABC. Dalila Teles Veras integrou os momentos iniciais de debate regional sobre gestão cultural, tendo atuado como uma das primeiras coordenadoras do Grupo de Trabalho (GT) Cultura do Consórcio Intermunicipal Grande ABC.
A participação no GT ajudou a estruturar o diálogo entre os municípios da região para a integração de políticas setoriais, servindo de elo entre os anseios da produção independente e o poder público.
Além da atividade comercial e editorial, a sede da livraria abriga um acervo documental composto por registros impressos, cartas, cartazes de época e catálogos que registram os movimentos culturais e os autores que marcaram o Grande ABC a partir do final do século XX.

Segundo a manifestação do Consórcio ABC, a chancela como patrimônio imaterial valoriza as dinâmicas sociais, os encontros literários e os saberes compartilhados construídos no local, garantindo a salvaguarda de um ponto de referência para a identidade regional.
A mobilização pública para apoiar o requerimento junto ao COMDEPHAAPASA recebe adesões de artistas, educadores e munícipes por meio de formulário digital aberto à população até o fim de outubro.