Lewandowski, Griezmann e o relógio do futebol

A despedida de dois craques da elite europeia desperta uma reflexão sobre memória, nostalgia e a passagem do tempo no futebol

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Estava eu, às 14h23 de ontem, rolando o Twitter (X), e encontrei uma postagem oficial da MLS (Major League Soccer) anunciando que, naquela noite, aconteceriam as estreias de Robert Lewandowski e Antoine Griezmann nos Estados Unidos.

Em tempos de Copa do Mundo, é normal esquecermos um pouco do restante do futebol, mas ver dois grandes nomes da geração passada iniciarem seus últimos capítulos longe dos grandes palcos europeus me fez pensar na única coisa que não dá para ignorar ou esquecer: o tempo.

Parece que foi ontem que eu ligava na finada FOX Sports todo fim de semana para ver mais um atropelo do Bayern de Munique liderado por Lewandowski.

Parece que foi ontem que, no primeiro jogo de futebol que assisti, vi Griezmann destruir a Alemanha campeã do mundo na semifinal da EURO 2016.

Parece que foi ontem que Lewandowski conquistava uma UEFA Champions League, o título mais almejado por qualquer europeu, naquele Bayern que parecia imparável durante a pandemia.

Parece que foi ontem que Antoine Griezmann ajudava a moldar uma era na França e conquistava a Copa do Mundo de 2018 como um dos protagonistas da campanha que apresentou Mbappé ao mundo.

Quis o destino que aquele jovem apresentado ao mundo em 2018 herdasse o protagonismo da seleção francesa justamente quando a geração de Griezmann começava a se despedir. Com isso, o francês não pôde disputar a Copa do Mundo e dar seu último adeus na maior competição do planeta, assim como Lewandowski.

Duas histórias e dois craques que agora iniciam uma nova etapa na MLS.

Contra o Inter Miami, Lewandowski estreou pelo Chicago Fire. A estrela do jogo, para a surpresa de ninguém, seria Messi. O argentino, porém, não estava em campo, e Lewandowski fez sua estreia com todos os holofotes voltados para si. Ele apareceu menos do que estávamos acostumados a ver, afinal, não dividia mais o campo com jogadores como Yamal, Raphinha ou Pedri.

Aplaudido a cada toque na bola e participando da construção das jogadas, mais do que seu desempenho, o que me marcou foi a sensação mais inesperada da noite: a nostalgia.

No time adversário estava outro ídolo daquela geração: Luis Suárez. Isso só aumentou o sentimento. No fim, foi justamente o uruguaio quem decidiu a partida, marcando dois gols na vitória do Inter Miami por 3 a 2. Nem parecia um jogo de MLS.

Três horas depois, entrou em campo o Orlando City de Griezmann. Bastaram 45 minutos para perceber que algumas coisas dificilmente mudam quando se tem talento.

Cadenciando o jogo, ajudando na marcação e encontrando passes entrelinhas, o francês parecia o mesmo jogador que durante anos foi peça indispensável da seleção francesa. À la Griezmann, mesmo.

O do futebol relógio nunca para

Crônica Futebol- Tempo
Imagem Gerada por IA (Gemini)

O gol veio logo no início do segundo tempo. Griezmann recebeu na área, cortou o marcador e balançou as redes. Naquele chute rasteiro, foi impossível não enxergar um pouco do jogador que encantou o futebol durante tantos anos.

Enfim, o relógio do futebol nunca para. Porém, naquela noite, ele desacelerou por alguns instantes e me deixou olhar para trás. Enquanto Lewandowski e Griezmann iniciam seu último capítulo, nós, que crescemos assistindo a essa geração, somos obrigados a encarar uma verdade simples: o futebol segue em frente. E o relógio também.

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  • Publicado: 23/07/2026 11:57
  • Alterado: 23/07/2026 11:57
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC

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