Leishmaniose: saiba como identificar e se prevenir da doença
Transmitida pelo mosquito-palha, a leishmaniose exige cuidados com higiene de quintais, repelentes e diagnóstico precoce
- Publicado: 16/08/2026 13:48
- Alterado: 16/08/2026 13:48
- Autor: Daniela Ferreira
Diante do risco de complicações graves causadas pelas leishmanioses, especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo reforçam o alerta para a identificação precoce dos sintomas e adoção de medidas preventivas contra o inseto transmissor. A infecção é provocada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada do inseto conhecido popularmente como mosquito-palha, birigui ou tatuquira.
No Brasil, as manifestações mais frequentes são a leishmaniose tegumentar, que afeta a pele e as mucosas e a leishmaniose visceral (calazar), forma sistêmica que compromete órgãos internos e pode levar a óbito caso não haja diagnóstico e tratamento adequados.
Transmissão pelo Mosquito-Palha e Papel do Vetor
A infecção humana não ocorre pelo contato direto com animais domésticos ou silvestres. Para que a transmissão aconteça, o mosquito-palha precisa picar um animal infectado (como o cão, principal reservatório urbano do protozoário Leishmania chagasi) e, posteriormente, picar um indivíduo suscetível.

Por necessitar obrigatoriamente da participação do vetor para o transporte do parasita entre os hospedeiros, o controle da doença depende da contenção da proliferação do inseto nos ambientes urbanos e rurais.
Sintomas da Leishmaniose Tegumentar e Visceral
O médico infectologista da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), instituição credenciada à rede do Iamspe em Botucatu, Dr. Alexandre Naime Barbosa, explica que o sinal característico da forma tegumentar é o aparecimento de feridas de difícil cicatrização:
“A leishmaniose tegumentar geralmente começa com uma pequena lesão na pele que aumenta lentamente de tamanho até formar uma úlcera de bordas elevadas, permanecendo por semanas ou meses sem cicatrizar. Alterações persistentes nas mucosas do nariz, da boca ou da garganta também merecem atenção médica imediata”, orienta o especialista.
Já na leishmaniose visceral, o quadro clínico afeta múltiplos órgãos e exige intervenção hospitalar urgente:
“Na forma visceral, febre diária mantida por mais de duas semanas, perda de peso involuntária, cansaço extremo, falta de apetite e aumento do volume abdominal são sinais clássicos de alerta. Em estágios avançados, a infecção provoca anemia severa, fraqueza e compromete a imunidade do paciente, elevando o risco de infecções secundárias graves”, alerta o infectologista.
Medidas de Prevenção e Combate ao Vetor
A contenção do mosquito-palha exige a eliminação de seus criadouros nos quintais e arredores das residências. Como as fêmeas do inseto se desenvolvem em locais sombreados e ricos em matéria orgânica em decomposição, as principais recomendações sanitárias incluem:
- Higienização de Quintais: Manter terrenos limpos, recolhendo folhas secas, fezes de animais, frutos caídos e lixo orgânico;
- Proteção Individual: Aplicar repelentes corporais registrados e utilizar roupas de manga longa e calças compridas, especialmente durante o entardecer e ao amanhecer (período de maior atividade do vetor);
- Proteção Residencial: Instalar telas de malha fina em portas e janelas para impedir a entrada do inseto nos domicílios.