Labrador Cheddar transforma rotina de cadeirante em SP

Labrador Cheddar se torna cão de assistência e ajuda cadeirante a conquistar autonomia e independência na rotina diária em Salto de Pirapora, no interior paulista

Labrador Cheddar transforma rotina de cadeirante em SP

Crédito: Divulgação

O labrador Cheddar, de dois anos e oito meses, transformou a rotina de Bruno Rodrigues de Souza, analista de sistemas que vive em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Cadeirante há 18 anos, após um acidente de moto, Bruno conta com o cão de assistência à mobilidade para realizar tarefas do cotidiano e ampliar sua independência.

Treinado pelo Instituto Adimax, Cheddar consegue abrir portas e gavetas, pegar objetos no chão, acender e apagar luzes e buscar itens em diferentes ambientes. O cão acompanha Bruno no trabalho, na academia, no supermercado e nos momentos de lazer.

“Cheddar não é apenas um cão treinado. Ele representa autonomia, segurança, inclusão e qualidade de vida”, afirma Bruno.

Cheddar encontrou sua vocação no treinamento

A trajetória do labrador começou em 2023, quando foi encaminhado a uma família voluntária responsável por sua socialização. Essa etapa prepara os cães para conviver com pessoas, frequentar diferentes ambientes e se adaptar a situações comuns da rotina.

Cheddar, porém, foi devolvido duas vezes durante o processo. Na terceira tentativa, passou a viver com Patrícia Jung, enfermeira de Sorocaba que já havia participado do programa como socializadora de outro cão.

Desde o início, a inteligência e a curiosidade do labrador chamaram a atenção. Ele aprendeu a abrir um portão para animais de estimação observando Patrícia e demonstrava facilidade para encontrar objetos e interagir com as pessoas.

“Eu sabia que tinha um desafio ali, pois era um cão devolvido duas vezes e a preocupação do Instituto era justamente com o bem-estar dele, que tivesse alguém disposto a dar esse suporte emocional também. Mas eu nem imaginava o que viria pela frente”, conta Patrícia.

A voluntária percebeu que o comportamento explorador do animal exigia uma abordagem adequada. Com a orientação do Instituto Adimax, a família buscou estimular suas habilidades em vez de tentar eliminar sua curiosidade.

Instituto Adimax identificou potencial para assistência

Após aproximadamente um ano com a família socializadora, Cheddar retornou ao Instituto Adimax para iniciar o treinamento. Embora aprendesse rapidamente, nem sempre demonstrava interesse pelas atividades propostas.

Em uma ocasião, o cão abriu os trincos das baias do canil e liberou outros animais. O episódio ajudou a equipe a perceber que suas habilidades poderiam ser direcionadas para uma função diferente: auxiliar pessoas com mobilidade reduzida.

“A gente percebeu que o Cheddar tinha muitas qualidades, mas talvez seu potencial não estivesse sendo direcionado para o lugar certo. O cão precisa estar totalmente à vontade na missão dele, seja para ser um cão de assistência ou um pet. É sempre ele que escolhe o que quer ser”, explica Fabiano Pereira, instrutor de cão-guia e gestor técnico do Instituto Adimax.

O treinamento passou a incluir tarefas como abrir portas e gavetas, recolher objetos do chão e acionar interruptores. Com os novos estímulos, Cheddar demonstrou maior interesse pelas atividades e, após alguns meses de preparação, concluiu a formação como cão de assistência à mobilidade.

“Cheddar sempre foi muito inteligente e reforçamos esse talento natural dele. Foram alguns meses de trabalho até que ficasse pronto para fazer a diferença na vida de outra pessoa”, afirma Eliaquim Timóteo da Cunha, responsável pelo treinamento do labrador.

Patrícia acompanhou a formatura e celebrou a conquista do cão que acolheu durante a socialização.

“Foi preciso entender que o que muitas vezes a gente achava que era coisa de bagunceiro, era a inteligência dele, a curiosidade. Ele foi um cão que nos trouxe muitos desafios, mas nos deu muito amor e momentos inesquecíveis. Estou muito feliz por ele”, relata.

Encontro com Bruno mudou a rotina da dupla

Com a formação concluída, o próximo passo era encontrar uma pessoa cujas necessidades fossem compatíveis com as habilidades de Cheddar. Bruno conheceu a história do labrador durante uma visita ao Instituto Adimax e decidiu se inscrever no programa.

O processo de seleção contou com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, psicólogos e profissionais especializados. Foram avaliadas a rotina de Bruno, suas necessidades e as condições dos ambientes em que vive e trabalha.

Após a confirmação da compatibilidade, os dois passaram por um período de adaptação com o apoio dos profissionais da instituição.

“Desde os primeiros contatos, criamos uma conexão muito positiva. Com o treinamento e a orientação dos profissionais da instituição, fui aprendendo a trabalhar em conjunto com ele e, aos poucos, percebendo como sua presença poderia transformar minha rotina”, relembra Bruno.

Hoje, Cheddar auxilia em diferentes situações. No escritório, pode buscar uma pasta no armário ou pegar as chaves que caíram no chão. Na academia, ajuda a buscar uma garrafa de água ou uma toalha. No supermercado, consegue alcançar produtos em prateleiras mais baixas.

Para Bruno, o benefício vai além da ajuda prática. A convivência também fortaleceu o vínculo afetivo entre os dois e contribuiu para sua segurança nas atividades diárias.

“Receber um cão de assistência foi uma experiência transformadora para mim. Além do suporte prático, existe também um vínculo afetivo muito forte, construído diariamente com confiança, respeito e companheirismo”, afirma.

Como funciona o Instituto Adimax

Localizado em Salto de Pirapora, no interior paulista, o Instituto Adimax possui uma estrutura de 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico e espaços destinados ao lazer e ao treinamento dos animais.

A instituição conta com uma equipe multidisciplinar de 53 colaboradores e tem como propósito apoiar a inclusão de pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade, além de promover o bem-estar animal.

No programa de formação, os cães passam aproximadamente um ano com famílias voluntárias, que os ajudam a desenvolver habilidades de convivência e adaptação. Depois, retornam ao instituto para um período de treinamento que dura entre quatro e seis meses.

Após a formação, os animais podem ser encaminhados a pessoas compatíveis com suas habilidades e necessidades. O instituto também mantém outros dez programas sociais voltados à inclusão e ao cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Carlos Enriki

  • Publicado: 22/10/2026 09:59
  • Alterado: 22/10/2026 09:59
  • Autor: Carlos Enriki