Jão lança o álbum ‘Memórias Póstumas’ em nova fase
Inspirado em Machado de Assis e na perda do pai, Jão apresenta seu 5º disco de estúdio com 14 faixas confessional-poéticas
- Publicado: 27/07/2026 11:37
- Alterado: 27/07/2026 11:37
- Autor: Daniela Ferreira
Prestes a completar dez anos de estreia no mercado fonográfico, o cantor e compositor Jão lança seu quinto álbum de estúdio, intitulado “Memórias Póstumas“. Marcando uma fase de expansão e maturação artística voltada ao pop adulto brasileiro, o projeto sucede a tetralogia baseada nos quatro elementos da natureza (terra, ar, água e fogo) com uma narrativa confessional e literária.
Composto durante um período de recolhimento dos palcos e das redes sociais, o trabalho é atravessado pela memória e perda de seu pai, tema presente na faixa de abertura, “Catedral”, e em diferentes momentos do disco.
Inspiração Literária e Processo Criativo

O título do projeto dialoga diretamente com o clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. A célebre dedicatória do romance é revisitada nos versos da faixa-título que encerra o álbum: “tente não ser o primeiro a roer as frias carnes do meu corpo passageiro”.
Entre as referências musicais citadas pelo artista durante a fase de criação estão os álbuns “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” (Marisa Monte), “MTV Acústico” (Kid Abelha) e “Ray of Light” (Madonna). Ao todo, o processo de composição gerou 68 canções, reduzidas para a seleção final de 14 faixas:
“Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas. Foi um fluxo muito grande de pensamentos (…). Combinamos que neste álbum escreveríamos o quanto quiséssemos e, quando estivéssemos mais centrados, iríamos editar e polir com muita delicadeza”, explica Jão.
Parcerias, Arranjos e Ficha Técnica
Jão assina a autoria de 13 das 14 faixas, sendo oito em parceria com Pedro Tófani (diretor criativo de seus shows e namorado do artista). Tófani assina sozinho a composição da canção “João”, na qual o cantor assume a produção e execução dos teclados.
A produção musical traz a assinatura de Jão em todas as faixas, dividindo a maioria dos arranjos com Zebu (Guilherme Santos Pereira), parceiro recorrente desde o álbum “Pirata”. As faixas “Catedral” e “Eu Sempre Volto” contam com co-produção de Janluska e Gabriel Duarte.
O álbum reúne participações e arranjos instrumentais de destaque:
- Instrumentistas e Arranjos: A musicista Érica Silva assume baixos, violões e o arranjo de cordas de “Eu Sempre Volto”, enquanto Audryn Souza conduz a presença de flautas em faixas como “Por Você”, “Aurora” e “Literatura”;
- Acolhimento Familiar: O disco incorpora áudios reais dos pais e amigos do cantor gravados ao fim de sua última turnê;
- Mestres da MPB em “O Amor”: Na faixa “O Amor”, a produção é compartilhada com o veterano Marco Mazzola, reunindo o violonista Rick Ferreira (histórico colaborador de Raul Seixas), o baixista Paulo César Barros (fundador do grupo Renato & Seus Blue Caps) e solos de metais por Diogo Mandu Duarte (trompete e flugelhorn).