Itaú Cultural Play exibe filmes do Festival Guarnicê
Itaú Cultural Play exibe, de 27 de agosto a 10 de setembro, curtas do Festival Guarnicê, com histórias sobre memória, identidade e ancestralidade no país
- Publicado: 24/08/2026 08:38
- Alterado: 24/08/2026 08:38
- Autor: Daniela Penatti
A Itaú Cultural Play reúne, de 27 de agosto a 10 de setembro, filmes da 49ª edição do Festival Guarnicê de Cinema, com produções de nove estados brasileiros e temas como ancestralidade, identidade, memória e questões ambientais.
Itaú Cultural Play recebe seleção maranhense
De 27 de agosto a 10 de setembro, a Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro, apresenta uma seleção de filmes da 49ª edição do Festival Guarnicê de Cinema. As produções integram a Mostra Competitiva de Curtas-metragens Maranhenses e apresentam narrativas ligadas a diferentes realidades brasileiras.
A programação reúne histórias ambientadas ou relacionadas ao Piauí, Paraíba, Pará, Amazonas, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Maranhão. Entre os temas abordados estão ancestralidade, identidade, memória, relações familiares, questões ambientais e transformações sociais.
Realizado entre 20 e 26 de agosto, em formato híbrido, o Festival Guarnicê de Cinema ocupou São Luís com programação presencial e atividades virtuais. Considerado um dos mais antigos eventos audiovisuais do Brasil, o festival reúne mostras competitivas e paralelas, homenagens, atividades formativas e ações voltadas à pesquisa e à produção cinematográfica.
Os filmes da Mostra Competitiva de Curtas-metragens Maranhenses também concorrem ao Prêmio Itaú Cultural Play, concedido pela Fundação Itaú.
Filmes da Itaú Cultural Play abordam diferentes realidades
A seleção apresenta produções de diferentes gêneros e perspectivas. Ainda Te Amo (MA, 2026), de Hsu Chien, é uma ficção científica maranhense que acompanha Mário. Abandonado na infância em uma discoteca LGBTQI+, ele se reinventa como Keitty Mayra, uma das artistas drag mais conhecidas da noite de São Luís, e encontra na arte uma maneira de lidar com a ausência da mãe. O filme recebeu quatro prêmios em festivais internacionais, incluindo o de Melhor Curta-Metragem com temática LGBTQIAP+ na Itália.
Já Mercado Central (MA, 2026), de Tássia Dhur, mistura mistério e crítica social ao retratar o desaparecimento de pessoas em um importante comércio de uma cidade. A produção recebeu quatro prêmios na 30ª edição do CinePE Festival Audiovisual, entre eles Melhor Filme pela Abraccine e pelo Júri Popular, além de Melhor Direção de Arte e Melhor Direção de Fotografia.
Em A Mulher Sem Chão (PA, 2025), de Auritha Tabajara e Débora McDowell, a escritora e contadora de histórias indígenas Auritha Tabajara é acompanhada desde sua saída do Ceará até o recomeço em São Paulo, onde enfrenta os efeitos do deslocamento e da invisibilidade na maior cidade do país.
Itacoatiaras (AM, 2025), documentário de Sérgio Andrade e Patricia Goùvea, investiga a relação entre ancestralidade, territórios indígenas e emergência climática a partir de dois lugares que compartilham o mesmo nome e histórias marcadas pelo apagamento. A produção também aborda o significado da palavra “itacoatiara”, de origem tupi, associada a pedras com inscrições ou marcas.
Produções destacam memória, identidade e questões sociais
O documentário Judas é meu avô (MA, 2025), de Dudu Gehlen, mostra como um crime ocorrido em 1970 continua repercutindo na família da vítima. Passados 55 anos, o caso chega ao júri pelas mãos do neto.
De Goiás, Vozes e Vãos (GO, 2025), dirigido por Edileuza Penha de Souza e Edymara Diniz, acompanha jovens quilombolas Kalunga que constroem seus caminhos entre a herança dos ancestrais e as expectativas de futuro, preservando saberes e reinventando tradições.
O filme experimental Boi de Salto (PI, 2025), de Tássia Araújo, apresenta Abdias, que chega a Teresina com os pais após fugirem de uma fazenda. Ele sonha em dançar usando sapatos de salto alto no grupo de Bumba-Meu-Boi mais tradicional da cidade. Impedido de participar, cria uma tradição para si.
O drama paraibano Quando Sair Lá Fora Serei Ana (PB, 2025), de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy, acompanha Kelly, jovem que sobrevive à violência cometida pelo ex-companheiro. Depois, ela entra no Programa de Proteção a Testemunhas e precisa reconstruir a própria vida sob uma nova identidade.
Por fim, Banho Maria (RS, 2026), ficção científica de Gabriel Faccini, do Rio Grande do Sul, conta a história de uma mulher que, diante de um dia de calor extremo, decide faltar ao trabalho e transforma a interrupção em uma reflexão sobre tempo, trabalho e exaustão.
Como assistir à Itaú Cultural Play
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito e pode ser feito pelo site da plataforma, além de smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV. O serviço também está disponível em aplicativos para dispositivos móveis Android e iOS e por Chromecast.
Parte do catálogo da IC Play também pode ser encontrada nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
FICHAS E SINOPSES DOS FILMES
Judas é meu avô
de Dudu Gehlen (documentário, 19min e 58seg, Maranhão, 2025)
Sinopse: Um crime que aconteceu em 1970 sofre consequências intergeracionais de toda uma família no interior do Maranhão. E o neto da vítima, depois de 55 anos, leva o caso ao júri.
Ainda Te Amo
de Hsu Chien (ficção científica, 15min, Maranhão, 2026)
Sinopse: Abandonado ainda criança numa discoteca LGBTQI+, Mário cresce marcado pela ausência da mãe. Já adulto, reinventa-se como Keitty Mayra, um dos artistas drag mais aclamados da noite de São Luís. Sob os holofotes, procura preencher o vazio deixado pela rejeição e encontrar, através da sua arte, um caminho para se reconectar com a mãe — e consigo mesmo.
Boi de Salto
de Tássia Araújo (experimental, 15min, Piauí, 2025)
Sinopse: Após fugirem da fazenda de seu Amaro, pai Francisco e mãe Catarina chegam à Teresina para começar uma nova jornada. Abdias, filho do casal, sonha em dançar de salto alto, no grupo mais tradicional de Bumba-Meu-Boi da sua cidade. Depois de ser impedido de dançar de salto, Abdias cria uma tradição para si mesmo.
Quando Sair Lá Fora Serei Ana
de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy (drama, 24min e 30seg, Paraíba, 2025)
Sinopse: O que acontece depois da violência? “Quando Sair Lá Fora Serei Ana” acompanha Kelly, uma jovem que, após sobreviver a um crime cometido por seu ex-companheiro, entra no Programa de Proteção a Testemunhas (PROVITA) e precisa abandonar tudo o que conhece para seguir viva. Em uma nova cidade, com uma nova identidade, ela enfrenta o desafio de reconstruir sua vida enquanto lida com a síndrome do pânico.
A Mulher Sem Chão
de Auritha Tabajara e Débora McDowell (documentário, 1h e 19min, Pará, 2025)
Sinopse: A turbulenta cidade de São Paulo reúne a maior população indígena do Brasil. Foi nos seus subúrbios que Auritha decidiu recomeçar a vida. Contadora de histórias, ela parece estar finalmente perto de se erguer e reconstruir uma família – contudo, os tormentos de suas ancestrais permanecem entre suas descendentes.
Itacoatiaras
de Sérgio Andrade e Patricia Goùvea (documentário, 1h e 13min, Amazônia, 2025)
Sinopse: A busca pela ancestralidade em dois lugares distantes e distintos que compartilham do mesmo nome e passados como territórios indígenas em apagamento. Em meio ao marco das emergências climáticas e onde paisagens que sempre foram protagonistas de nossas vidas podem desaparecer, as pedras “itacoatiaras” nos apresentam mundos que criam, emergem e animam histórias universais de resistência.
Vozes e Vãos
de Edileuza Penha de Souza e Edymara Diniz (documentário, 1h e 18min, Goiás, 2025)
Sinopse: No coração do estado de Goiás, jovens quilombolas (Kalunga) traçam seus caminhos entre o passado e o futuro, firmando passos sobre a terra herdada de seus ancestrais. Enquanto enfrentam as incertezas do presente, eles cultivam sonhos, preservam saberes e reinventam tradições. Vozes e Vãos é um retrato sensível e potente da resistência e da esperança de uma juventude que transforma sua herança cultural em força para seguir adiante.
Banho Maria
de Gabriel Faccini (ficção científica, 14min, Rio Grande do Sul, 2026)
Sinopse: Em uma manhã de calor escaldante, uma mulher decide faltar ao trabalho.
Mercado Central
de Tássia Dhur (ficção científica, 17min, Maranhão, 2026)
Sinopse: Em um cenário insalubre de um mercado no centro da cidade, pessoas estão desaparecendo sem deixar rastros. Um clima de mistério ronda o mercado central, até ser revelado o real motivo dos acontecimentos.
SERVIÇO:
Na Itaú Cultural Play
49º Festival Guarnicê de Cinema 2026
27 de agosto a 10 de setembro