Infectologista alerta para avanço do sarampo em SP

Infectologista do Sabará Hospital Infantil destaca a vacinação ampliada contra o sarampo e a 'dose zero'

Infectologista alerta para avanço do sarampo em SP

Crédito: Reprodução internet

O Estado de São Paulo já confirmou 23 casos de sarampo no decorrer de 2026, com a maioria dos registros concentrados na capital paulista e maior incidência em crianças com idade inferior a 2 anos. Diante da circulação do vírus e do risco de disseminação, infectologistas reforçam que alcançar e manter altas coberturas vacinais é a principal barreira para conter novos surtos da doença.

O avanço de casos no estado decorre de uma combinação entre a circulação internacional do vírus e a existência de bolsões de pessoas suscetíveis.

Fatores de Risco e Contagiosidade do Vírus

O infectologista e pediatra do Sabará Hospital Infantil, Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi, explica que a intensificação do tráfego urbano e de viagens internacionais acelera a reintrodução da infecção:

“O que estamos vendo em São Paulo é resultado de uma combinação de fatores. O sarampo voltou a circular com intensidade em vários países das Américas e, em uma cidade com grande fluxo de viajantes como São Paulo, existe o risco de o vírus ser introduzido por pessoas infectadas durante viagens. Quando ele encontra na população um percentual relevante de pessoas que não estão vacinadas ou que não completaram o esquema de vacinação, consegue se espalhar com muita facilidade. É essa combinação entre a introdução do vírus e a existência de uma proporção elevada de grupos populacionais ainda suscetíveis que cria as condições para um surto”, analisa o médico.

Dia D impulsiona vacinação contra sarampo em SBC
Divulgação/PMSBC

O especialista alerta para a gravidade da doença, sobretudo na primeira infância:

“Uma em cada cinco crianças que contraem sarampo pode precisar de hospitalização. Em bebês nos primeiros 2 anos de vida, o risco pode ser ainda maior, especialmente se forem não vacinados ou em determinados grupos de maior vulnerabilidade, como crianças desnutridas. É uma doença altamente contagiosa, que pode levar a complicações graves como pneumonia, diarreia, encefalite e, em determinadas situações, até mesmo à morte. As estimativas da era pré-vacinal mostram que, a cada 1.000 casos que ocorrem numa população, observamos uma a duas mortes, a maioria em crianças pequenas”, pontua o Dr. Marco Aurélio Sáfadi.

Campanha de Multivacinação e a ‘Dose Zero’

Como resposta ao cenário epidemiológico, a Prefeitura de São Paulo deu início à campanha de multivacinação “De Olho na Carteirinha 2026”, disponibilizando reforço contra o sarampo em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e AMAs/UBSs Integradas.

Atualmente, os índices de cobertura da vacina tríplice viral na capital permanecem abaixo da meta de 95% fixada pelo Ministério da Saúde: a primeira dose alcançou 77,5% e a segunda dose registra apenas 65,5%.

Para antecipar a proteção dos lactentes, as autoridades estaduais recomendam a aplicação da chamada “dose zero”:

“Manter a carteira de vacinação atualizada é indispensável. Em São Paulo, diante do risco de transmissão, está sendo recomendada a chamada ‘dose zero’ da vacina tríplice viral para crianças de 6 a 11 meses. Essa é uma dose adicional, usada para antecipar a proteção dos bebês, e não substitui as doses previstas no calendário de rotina. Após completar 1 ano, a criança deve seguir normalmente o Calendário Nacional de Vacinação, recebendo a primeira dose de rotina aos 12 meses e a segunda aos 15 meses”, orienta o pediatra do Sabará Hospital Infantil.

Estratégia de Vacinação Indiscriminada de 6 Meses a 59 Anos

Diante da necessidade de interromper rapidamente as cadeias de transmissão, a campanha adota a vacinação indiscriminada contra o sarampo para a população na faixa etária de 6 meses a 59 anos nos municípios recomendados.

Sarampo - vacinação
Governo de São Paulo/Divulgação

“Isso significa que, durante esse período, a orientação é ampliar ao máximo a proteção da população, reduzindo rapidamente o número de pessoas suscetíveis e, consequentemente, as oportunidades de transmissão do vírus. A medida é especialmente importante em um momento de circulação do sarampo e busca interromper as cadeias de transmissão antes que o surto ganhe maior dimensão. Apesar da estratégia ampliada, a vacina tríplice viral não deve ser aplicada em gestantes, crianças menores de 6 meses e em pessoas com imunossupressão”, reforça o Dr. Marco Aurélio Sáfadi.

Além da tríplice viral, as UBSs disponibilizam todos os imunizantes do calendário de rotina, incluindo BCG, Hepatite B, Pentavalente, Rotavírus, Pneumocócica conjugada, Meningocócicas C e ACWY, Influenza, Covid-19, Febre Amarela, Varicela, DTP, Hepatite A e HPV.

Histórico do Sarampo no Brasil

O Brasil havia conquistado a certificação de eliminação do vírus do sarampo em 2016. Contudo, em 2019, o país perdeu o status ao registrar cerca de 18 mil casos da doença.

Embora o certificado de país livre do sarampo tenha sido recuado em 2024, o reaparecimento de cadeias de transmissão em São Paulo reafirma a urgência de manter elevadas taxas de imunização na população.

  • Publicado: 18/08/2026 12:40
  • Alterado: 18/08/2026 12:40
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria