Índice de Pobreza global aumenta pela primeira vez em 16 anos
Dados do Pnud mostram que mais da metade das vítimas são crianças. Relatório avaliou 108 países e acende alerta para desigualdade rural.
- Publicado: 12/10/2026 15:45
- Alterado: 12/10/2026 15:45
- Autor: Thiago Antunes
O índice global de pobreza aumentou pela primeira vez desde 2010. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Universidade de Oxford revelaram que 1,2 bilhão de pessoas estão nesta situação em 2026. O número representa 51,5 milhões de indivíduos a mais nesta condição em relação ao ano anterior.
O levantamento considera privações estruturais de saúde, educação e moradia. A parcela mais vulnerável concentra grupos específicos. Mais da metade dos afetados são crianças e 83% vivem em áreas rurais. O estudo mapeou 10 indicadores em 108 países em desenvolvimento.
“Por trás desses números estão 1,2 bilhão de pessoas que enfrentam dificuldades que se reforçam mutuamente, como fome e falta de água potável ou eletricidade. Isso é inaceitável”, afirmou Alexander De Croo, administrador do Pnud.
Cenário da pobreza nos países de língua portuguesa
A avaliação das nações lusófonas mostra realidades distintas. Moçambique lidera com 38,8% da população em situação grave. Na sequência do ranking de pobreza multidimensional aparecem Guiné-Bissau (35,9%) e Angola (29,6%).
O Brasil registra índice de 0,9%. O país sul-americano convive com desigualdades persistentes, enquanto as nações africanas enfrentam vulnerabilidades climáticas e econômicas severas. Timor-Leste lida com impactos pós-conflito e dificuldades na consolidação de infraestruturas.
Os pesquisadores destacam que o crescimento demográfico influencia diretamente o aumento absoluto de indivíduos vulneráveis. Em Angola e na Zâmbia, a proporção de pessoas afetadas caiu. O salto populacional superou esse avanço percentual e elevou o contingente total de pessoas afetadas.
Avanços na redução da pobreza e metas globais
O relatório aponta resultados positivos de governos asiáticos e africanos. A China reduziu sua taxa de 9,5% para 4,2% em quatro anos. O Vietnã cortou seu índice pela metade em um período de sete anos.
Trinta e três nações conseguiram diminuir o problema substancialmente em menos de 15 anos. Eswatini baixou seu índice de 38,7% para 8% da população vulnerável no mesmo período.
O objetivo de erradicar a carência estrutural integra as metas da ONU para 2030. Os dados recentes confirmam que o desafio segue complexo. O prazo oficial exige esforço coordenado massivo para reduzir pela metade a proporção de cidadãos vivendo na pobreza em todas as suas dimensões.