Inadimplência cresce 8,33% no Grande ABC em 12 meses, entenda

Estudo da CDL São Caetano revela alta da inadimplência no Grande ABC em 12 meses, impulsionada pelo custo de serviços essenciais

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano do Sul, em parceria com o SPC Brasil e com apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, apontou que o indicador de inadimplência registrou forte alta na região no último ano.

Em junho de 2026, o número de consumidores com débitos em atraso no Grande ABC subiu 8,33% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O índice ficou acima da média registrada no Sudeste (6,43%) e da média nacional (7,55%). No entanto, na variação mensal entre maio e junho, houve uma ligeira retração de 0,97% na taxa de inadimplência.

Aumento no volume de débitos e valor médio das dívidas

O relatório detalha que o volume de pendências financeiras cresceu 15,74% no acumulado de 12 meses, superando as médias do estado de São Paulo (12,48%) e do país (13,32%).

Em média, cada devedor atingido pela inadimplência na região possui 2,45 contas não pagas, com um valor médio total acumulado de R$ 5.889,06. O estudo destaca ainda que 38,69% do total de negativados possuem débitos de até R$ 1.000,00.

Perfil do consumidor atingido pela inadimplência

  • Faixa Etária: Maior concentração entre 50 e 64 anos (24,70% do total).
  • Gênero: Distribuição equilibrada — 50,66% mulheres e 49,34% homens.
  • Tempo de Atraso: A média geral chega a 29,5 meses, com 33,92% dos devedores mantendo a situação pendente entre um e três anos.

Contas de luz e água pesam no orçamento das famílias

No mapeamento dos credores, os bancos ainda lideram, concentrando 66,47% dos registros. Contudo, as contas de serviços essenciais — água e luz — já respondem por 17% do total de pendências. A mudança de cenário reflete como o custo de vida tem impactado o orçamento familiar antes mesmo da inadimplência bancária.

“No Grande ABC temos um perfil de devedor diferente: é o devedor com emprego e renda. Esse perfil de inadimplente escolhe o que pagar e, na esteira do Desenrola 2.0, os credores terão que propor novas condições de pagamento para atrair a atenção desse consumidor”, analisa o presidente da CDL São Caetano do Sul, Alexandre Damásio.

Damásio acrescenta que a redução pontual nas dívidas bancárias pode ser um reflexo positivo do programa de renegociação do governo federal. “Por outro lado, preocupa o aumento da inadimplência de luz e água, que sinaliza a baixa remuneração dos empregos no Grande ABC em comparação com o custo de vida”, ressalta.

Acompanhamento regional e capacidade de consumo

Para o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, Aroaldo Silva, o quadro geral da inadimplência é um balizador decisivo para medir a saúde financeira da região.

“A inadimplência é um indicador importante para compreender a dinâmica económica da região. Mesmo com um mercado de trabalho aquecido, o comprometimento da renda com crédito, serviços essenciais e custo de vida influencia diretamente a capacidade de consumo das famílias”, afirma Silva.

  • Publicado: 21/07/2026 21:59
  • Alterado: 21/07/2026 21:59
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência GABC