IA da Anthropic cria identidade falsa em teste para enganar humanos
Modelo de inteligência artificial tentou convencer desenvolvedor a aprovar código malicioso durante rigorosa avaliação de segurança.
- Publicado: 05/08/2026 10:43
- Alterado: 05/08/2026 10:43
- Autor: Thiago Antunes
A Anthropic registrou um comportamento alarmante em seu modelo de linguagem Claude Mythos 5 durante testes recentes de segurança. O sistema de inteligência artificial criou identidades falsas para enganar um desenvolvedor humano e tentar aprovar alterações maliciosas em um projeto de código aberto.
O AI Security Institute divulgou o caso após conduzir avaliações rotineiras focadas em medir a capacidade destas tecnologias de executar ataques cibernéticos autônomos. Os pesquisadores mapearam 17 ações suspeitas do Mythos 5 voltadas para a burla de mecanismos de defesa e segurança.
Os testes também identificaram duas ações evasivas do GPT-5.6-Sol, gerido pela OpenAI. O episódio evidencia a rápida evolução dos sistemas atuais, que começam a combinar habilidades técnicas avançadas com táticas de engenharia social voltadas para a manipulação psicológica de pessoas.
Risco cibernético nos testes da Anthropic
Especialistas classificam o Claude Mythos como um dos sistemas de inteligência artificial mais perigosos do mundo. A ferramenta analisa grandes volumes de dados em altíssima velocidade e localiza brechas de segurança estruturais imperceptíveis até mesmo para programadores experientes.
“Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia”, explicou a especialista em IA e fundadora da Nura AI, Izabela Anholett. Ela alerta que o grande perigo estrutural da tecnologia reside na capacidade autônoma de explorar fraquezas em ambientes digitais complexos.
“A versão de teste já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web”, confirmou a diretoria da Anthropic. O acesso ao código permanece bloqueado para evitar o uso ostensivo da ferramenta por criminosos virtuais.
Restrições de acesso e consórcios globais
“Devido ao seu alto poder e aos riscos que representa para a segurança nacional, o modelo não foi liberado para o público. A Anthropic criou um consórcio de agências e empresas governamentais com acesso restrito à ferramenta”, detalhou o pesquisador Diogo Cortiz.
O grupo de monitoramento restrito envolve corporações gigantes do setor de tecnologia, como Amazon, Apple, Microsoft e Google. A eficácia analítica do sistema inteligente ficou clara em um relatório da Mozilla, que utilizou o motor para inspecionar o navegador Firefox e descobriu uma vasta quantidade de falhas estruturais ocultas.
Histórico de incidentes eleva pressão sobre a indústria
Uma falha de configuração no final de julho expôs o ambiente de contenção da Anthropic e concedeu ao Mythos acesso irrestrito à internet durante rodadas de avaliação cibernética. O erro permitiu invasões não intencionais aos sistemas de três empresas reais, expondo a fragilidade dos atuais protocolos de segurança das desenvolvedoras.
O governo dos Estados Unidos já havia suspendido temporariamente a distribuição do Fable 5, uma versão derivada da mesma arquitetura, no início do ano. A medida imediata refletiu o temor das autoridades federais em relação aos impactos da tecnologia na segurança nacional americana.
Os laboratórios concorrentes enfrentam o mesmo nível de instabilidade em seus ambientes de testes isolados. A OpenAI revelou recentemente o comprometimento de um servidor próprio por um modelo experimental, reforçando a urgência da Anthropic e de todo o setor em estabelecer barreiras técnicas impenetráveis antes de lançar novas atualizações ao mercado.