Furto de cabos no Grande ABC tem queda de 4%, segundo Enel

O furto de cabos recuou 4% no ABC paulista em 2026, mas o total de clientes sem energia disparou 43%, aponta levantamento da Enel

Crédito: Divulgação

Os municípios do ABC paulista registraram 416 ocorrências de furto de cabos entre janeiro e maio de 2026. O dado, que faz parte de um levantamento oficial da Enel Distribuição São Paulo, aponta para uma redução de aproximadamente 4% no comparativo com o mesmo período do ano anterior, quando a região contabilizou 434 casos.

Apesar da queda no volume total de crimes, as consequências práticas para a população tornaram-se mais severas. O contingente de consumidores afetados pelas interrupções no fornecimento saltou de 940 para cerca de 1.350 no intervalo analisado, o que representa uma alta de 43% no impacto direto aos moradores e comerciantes locais.

Concentração de casos por município

O levantamento detalhado por município revela que Santo André centraliza os principais indicadores de criminalidade e impacto na rede elétrica. A cidade liderou a estatística regional com 222 registros de furto de cabos nos primeiros cinco meses do ano.

Nas demais posições do ranking regional de ocorrências aparecem:

  • São Bernardo do Campo: 115 casos
  • Diadema: 62 casos
  • São Caetano do Sul: 17 casos

A ordem de relevância se mantém quando analisado o número de consumidores prejudicados pela ação dos criminosos. Santo André registrou 735 clientes afetados pelo desabastecimento induzido, seguida por São Bernardo do Campo (306), Diadema (290) e São Caetano do Sul (22).

Pico de ocorrências no outono

O monitoramento temporal da concessionária identificou o mês de abril como o período mais crítico para a infraestrutura da região em 2026. Foram 103 registros de furto de cabos concentrados em trinta dias, seguido de perto pelo mês de março, que computou 92 ocorrências. O quarto mês do ano também respondeu pelo maior prejuízo direto à comunidade, deixando 439 consumidores simultaneamente sem energia.

“O furto de cabos é uma prática criminosa que compromete o fornecimento de energia, danifica a infraestrutura elétrica e coloca vidas em risco”, informou a Enel Distribuição São Paulo, em nota oficial sobre o balanço.

Impacto nas redes e serviços essenciais

A concessionária reforça que, além dos transtornos imediatos para residências e comércios, a reincidência do furto de cabos exige o deslocamento contínuo de equipes técnicas de emergência para a recomposição dos circuitos e substituição dos materiais metálicos levados da rede aérea ou subterrânea.

Ações preventivas e segurança

Para mitigar a atividade criminosa motivada pelo valor comercial do cobre, a distribuidora informou que mantém investimentos em tecnologia de monitoramento remoto. A estratégia envolve a instalação de sensores de presença e alarmes em pontos considerados estratégicos da rede de distribuição do ABC, além do reforço na segurança patrimonial de subestações.

A resolução definitiva do problema, contudo, depende de inteligência policial. A Enel atua de forma conjunta com órgãos públicos e forças de segurança do Estado para coibir não apenas a subtração dos componentes, mas principalmente a cadeia de receptação dos materiais em ferros-velhos e comércios clandestinos da região metropolitana. A companhia reitera que o furto de cabos prejudica diretamente o funcionamento de hospitais, escolas e serviços de utilidade pública.

  • Publicado: 18/06/2026 16:55
  • Alterado: 18/06/2026 17:48
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Enel