Filme no MIS reúne debate e sessão de graça na capital
Cinefilia e reflexão psicanalítica movimentam o circuito paulistano onde o filme no MIS projeta obra aclamada em Cannes com entrada gratuita aos visitantes
- Publicado: 07/11/2026 13:10
- Alterado: 07/11/2026 13:10
- Autor: Leonardo Nogueira
A busca obstinada no deserto ganha a tela grande. A exibição de filme no MIS agita a capital na terça-feira (10), às 19h, com a projeção especial do drama espanhol Sirāt, produzido pelo cineasta Pedro Almodóvar e dirigido por Oliver Laxe. O evento integra o tradicional Ciclo de Cinema e Psicanálise, oferecendo 168 lugares no auditório principal com ingressos distribuídos sem custo na bilheteria física uma hora antes da sessão.
O impacto da obra ultrapassa o circuito comercial comum. Vencedor do cobiçado Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2025, o longa-metragem coleciona duas indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som, além de figurar no Globo de Ouro e somar onze nomeações ao prestigioso Prêmio Goya da Espanha.
A narrativa conduz o espectador por um labirinto sensorial no norte da África. Ao transformar a dor de uma família desfeita em poesia visual escaldante, a exibição do filme no MIS proporciona uma oportunidade rara de conferir um dos títulos mais festejados da cinematografia europeia recente com projeção de ponta.
Filme no MIS desbrava luto e música eletrônica

A trama retrata a travessia angustiante de um pai que ruma ao sul marroquino ao lado do filho caçula. Ambos tentam rastrear os passos da jovem Mar, desaparecida meses antes durante uma rave de música eletrônica que se perdeu entre as formações rochosas:
- Jornada familiar pelos limites físicos e emocionais do deserto aberto;
- Choque entre o desespero do luto e a sensação extrema de liberdade dos jovens;
- Distribuição de retratos em meio a batidas mecânicas intermináveis;
- Encontro com grupos nômades que rumam para uma última celebração clandestina.
O contraste entre a batida sintética da música e o silêncio mineral da areia cria uma atmosfera claustrofóbica. Conforme pai e garoto seguem as caravanas por um território inóspito, o longa obriga cada personagem a confrontar a fragilidade dos próprios limites mentais.
“A obra mergulha em uma experiência crua de pertencimento e perda, onde o deserto deixa de ser apenas cenário geográfico para se transformar no próprio abismo psicológico de quem busca respostas.”
Essa tensão dramática sustenta os 114 minutos da fita sem concessões a fórmulas fáceis. O diretor Oliver Laxe utiliza a luz solar abrasadora para expor o vazio que consome os protagonistas enquanto a esperança de reencontro se desfaz.
Debate aprofunda cinema e mente humana no auditório
A experiência reflexiva do projeto continua logo após a subida dos créditos. O programa mensal do museu, desenvolvido em parceria direta com a Folha de S.Paulo e a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), abre um diálogo técnico sobre o desamparo contemporâneo:
- Presença do psicanalista Pedro Colli, docente da SBPSP e pesquisador de tecnologia;
- Análise conjuntural do editor da Folha de S.Paulo Daigo Oliva, especialista em cultura;
- Mediação da psicanalista Luciana Saddi, coordenadora cultural da entidade;
- Gravação completa disponibilizada posteriormente no canal oficial da instituição no YouTube.
A conversa entre a psicanálise clínica e a leitura jornalística permite decodificar as metáforas do roteiro. Os debatedores examinarão como o isolamento digital e os choques geracionais empurram indivíduos para vivências radicais no mundo contemporâneo.
O acesso democrático reafirma o papel do museu como polo de formação crítica na metrópole. Ao articular projeção internacional de excelência com debate gratuito de alto nível, este filme no MIS entrega uma experiência cultural densa e indispensável para quem estuda o comportamento humano.