Festival do Cuidar reúne famílias e arte no Burle Marx
A arte urbana convida ao toque e transforma o gramado da zona sul paulistana em um ponto de convivência lúdica para pais e filhos
- Publicado: 08/11/2026 11:25
- Alterado: 08/11/2026 11:27
- Autor: Leonardo Nogueira
O Festival do Cuidar tomou conta do Parque Burle Marx, no Morumbi, neste sábado (7), reunindo centenas de moradores em torno de uma proposta que valoriza o desenvolvimento infantil. O encontro marcou a inauguração oficial de uma escultura interativa em bronze assinada pela artista norte-americana Molly Gochman, integrante da série internacional Monumentos à Maternidade.
A obra permanecerá instalada no local pelos próximos cinco anos. Cerca de 300 crianças receberam kits exclusivos com lanches, brinquedos educativos, esteiras para piquenique e cartilhas explicativas sobre cuidados nos primeiros anos de vida.
Com 3,58 metros de altura, a estrutura de metal subverte o distanciamento tradicional dos museus ao permitir a escalada livre dos pequenos. As cúpulas vazadas funcionam simultaneamente como abrigo e parquinho, estimulando a exploração motora diante do olhar atento dos responsáveis.
Escultura pública estimula o brincar no Morumbi

A artista plástica viajou ao Brasil para acompanhar a estreia da instalação e dialogar com o público presente nas alamedas do parque. O Festival do Cuidar nasceu da união entre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o estúdio da escultora e a Fundação Aron Birmann, gestora do espaço verde:
“Esse é um monumento para vocês, porque todos vocês praticam o cuidado.”
A intervenção urbana integra uma pesquisa visual iniciada em 2024 que já percorreu praças de Memphis, no Tennessee, e o Prospect Park, em Nova York, além de pontos culturais no México. A peça esteve no jardim do Solar Fábio Prado antes de ocupar seu endereço definitivo no Morumbi.
Para a diretora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Ana Drummond, investir na primeira infância define os rumos da sociedade civil. O Festival do Cuidar passa agora a integrar a agenda institucional fixa da entidade:
- O cérebro humano desenvolve até 90% de sua capacidade estrutural entre zero e seis anos de idade;
- O estímulo afetivo nos primeiros anos de vida reduz vulnerabilidades comportamentais na fase adulta;
- O acesso democratizado aos parques públicos qualifica a saúde mental de pais e cuidadores;
- A linguagem artística amplia a apropriação dos espaços urbanos pelas crianças da metrópole.
O gestor Rafael Birmann pontuou que o paisagismo ganha vida quando dialoga com a infância. Abrir as portas para obras interativas atrai novos públicos e reposiciona o parque como centro de convivência comunitária contínua.
Programação cultural movimenta as alamedas
Toalhas, esteiras e piqueniques coloriram a grama durante todo o dia. As atividades integradas do Festival do Cuidar contaram com contação de histórias conduzida por Mafuane Oliveira e oficinas do Ateliê da Natureza, onde as crianças exploraram pigmentos e tintas à base de terra pura:
- Teatro tradicional de bonecos com o conjunto Mamulengo Fanfarrosas;
- Debate formativo sobre parentalidade com o pesquisador Marcelo Peroni;
- Distribuição de pipoca, algodão-doce e café da manhã balanceado para os participantes;
- Desfile musical interativo comandado pelos integrantes do Bloco TODOMUNDO.
O cortejo carnavalesco reuniu pais e filhos na execução de instrumentos de percussão, encerrando a jornada com música popular e celebração coletiva.
Cuidar do início da vida fortalece laços sociais e devolve a cidade às famílias. Ao transformar o gramado do Morumbi em território de afeto e imaginação, o Festival do Cuidar deixa como legado uma escultura viva que continuará acolhendo a infância paulistana pelos próximos cinco anos.