Feminicídios caem 17% em SP e prisões sobem 33,4%

Feminicídios passam de 41 para 34 casos em São Paulo entre janeiro e agosto, enquanto prisões por violência doméstica sobem 33,4%

Feminicídios caem 17% em SP e prisões sobem 33,4%

Crédito: Reprodução/Agência Brasil

A capital paulista registrou queda de 17% nos feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram 34 casos nos oito primeiros meses deste ano, contra 41 em 2025.

No mesmo período, o número de prisões e apreensões por violência doméstica aumentou 33,4%. Foram 2.487 ocorrências envolvendo agressores presos ou apreendidos, ante 1.865 no mesmo intervalo do ano passado.

Os números mostram comportamentos distintos entre os feminicídios e as medidas de responsabilização relacionadas à violência doméstica. Para a Polícia Civil, a redução dos casos fatais ocorre em paralelo à ampliação das ações de prevenção, acolhimento e investigação.

Feminicídios diminuem enquanto prisões aumentam

De acordo com a delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), as polícias Civil e Militar vêm ampliando a integração das estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher.

“Esse é um fenômeno complexo, que envolve aspectos sociais, familiares e culturais, podendo se manifestar de diferentes formas, o que exige estratégias específicas de prevenção e proteção”, afirmou.

A delegada também ressaltou que o combate aos feminicídios depende de atuação contínua em diferentes etapas, desde a prevenção até o atendimento das vítimas e a investigação das ocorrências.

“O enfrentamento à violência contra a mulher exige um trabalho permanente de prevenção, acolhimento e investigação. Cada ocorrência tem uma dinâmica própria e precisa ser analisada com atenção pelas nossas equipes”, declarou.

Grande São Paulo também tem queda nos feminicídios

Nos 38 municípios da Grande São Paulo, os registros de feminicídios caíram de 35 para 25 casos entre janeiro e agosto, redução observada no acumulado do ano.

Ao mesmo tempo, as prisões e apreensões por violência doméstica na região passaram de 1.580 para 2.070, crescimento de 31%.

Já no interior, foram contabilizados 90 feminicídios nos primeiros oito meses de 2025 e 110 no mesmo período de 2026. Nas prisões e apreensões por violência doméstica, o número subiu de 8.240 para 10.286, alta de 24,8%.

Os dados mostram diferenças entre as regiões do Estado, reforçando a necessidade de estratégias específicas para prevenção e proteção das mulheres em diferentes contextos.

Rede de proteção atua no combate aos feminicídios

O enfrentamento aos feminicídios em São Paulo envolve estruturas da Polícia Civil e da Polícia Militar destinadas ao atendimento, à prevenção e à investigação dos casos de violência contra a mulher.

O Estado conta atualmente com 144 Delegacias de Defesa da Mulher, sendo 35 delas com funcionamento 24 horas. Além disso, existem Salas DDM 24 horas instaladas em delegacias convencionais.

Na Polícia Militar, a Cabine Lilás direciona chamadas de violência doméstica recebidas pelo 190 para policiais femininas, que orientam as vítimas sobre medidas protetivas, direitos e serviços disponíveis.

Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar boletins de ocorrência pela internet, consultar endereços de unidades policiais e acionar o botão do pânico, com comunicação simultânea à polícia e a um contato de emergência.

Patrulha acompanha casos de violência doméstica

A Patrulha SP Mulher Segura também integra a estrutura de atendimento. O trabalho inclui policiamento preventivo e acompanhamento de ocorrências de violência doméstica, principalmente aquelas identificadas por meio da Cabine Lilás e do aplicativo.

Para a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, a integração das forças de segurança é necessária para interromper situações de violência antes que elas tenham consequências mais graves.

“A violência contra a mulher exige uma resposta firme, permanente e integrada das forças de segurança. Nosso compromisso é proteger as vítimas, agir rapidamente diante das denúncias e garantir que os agressores sejam responsabilizados”, afirmou.

A queda dos feminicídios na capital ocorre, portanto, junto ao aumento das prisões e apreensões por violência doméstica e à manutenção de uma rede especializada de atendimento em São Paulo.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 30/09/2026 19:03
  • Alterado: 30/09/2026 19:03
  • Autor: Gabriel de Jesus