Faixas sobre caso Ana Clara são colocadas em três capitais

Intervenções em pontos turísticos pedem buscas sobre Ana Clara e a atuação jurídica de Flávio Bolsonaro durante campanha de segundo turno

Faixas sobre caso Ana Clara são colocadas em três capitais

Crédito: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

Monumentos e pontos turísticos em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador amanheceram neste sábado (24) com faixas que fazem referência direta ao caso Ana Clara. A mensagem instalada nos três municípios orienta a população a pesquisar o nome da menina de cinco anos, morta após ser atingida por disparo de fuzil em Niterói, em 2021, associado ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

As faixas com menção a Ana Clara foram afixadas de maneira simultânea por grupos que não assinaram as intervenções. As faixas foram colocadas na Ponte Estaiada, na capital paulista, nos Arcos da Lapa, na região central do Rio de Janeiro, e no Elevador Lacerda, em Salvador.

Repercussão no debate presidencial e disputa eleitoral

O episódio envolvendo a morte de Ana Clara ganhou centralidade nos confrontos televisivos entre os concorrentes à Presidência da República. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem explorado a representação jurídica exercida por Flávio Bolsonaro em favor do policial militar Bruno Dias Delaroli, réu acusado de efetuar os disparos na comunidade, no momento em que o parlamentar já cumpria mandato no Senado Federal.

No último debate transmitido pela TV Globo na sexta-feira (23), a mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o embate direto da plateia, acomodada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O assunto veio à tona após um questionamento sobre estratégias de combate ao crime organizado. Ao rebater, Flávio sustentou a inocência do cliente: “Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro”.

Durante o mesmo bloco, o candidato do PL dirigiu-se à mãe, confundindo-a nominalmente com a criança. O caso já havia sido levantado pelo petista em debate veiculado pela TV Bandeirantes no dia 18, ocasião em que o senador respondeu: “Você não pode criminalizar a advocacia, Lula”.

Histórico da ocorrência e decisões da Justiça Eleitoral

A menina Ana Clara foi baleada em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava em frente à própria residência ao lado do irmão de 2 anos, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói. A criança foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, onde não resistiu aos ferimentos.

O uso político da imagem do episódio gerou questionamentos jurídicos perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça determinou a suspensão do impulsionamento pago de conteúdos em redes sociais que sustentavam que o senador teria atuado na defesa de um assassino de menor de idade.

A morte de Ana Clara retorna à cena pública na reta final da disputa eleitoral, período em que levantamentos apontam indefinição nos votos válidos entre os candidatos que disputam a Presidência da República.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 24/10/2026 17:42
  • Alterado: 24/10/2026 17:42
  • Autor: Gabriel de Jesus