Empregos no atacado paulista crescem 1,2%, diz FecomercioSP

Apesar de alcançar o maior contingente laboral da história, a geração de vagas desacelera diante da inflação e dos juros elevados.

Empregos no atacado paulista crescem 1,2%, diz FecomercioSP

Crédito: Divulgação/Assaí Atacadista

O estoque de empregos no comércio atacadista paulista atingiu a marca inédita de 632 mil postos de trabalho formais no encerramento do primeiro semestre de 2026. Os dados apurados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostram um avanço de 1,2% em junho na comparação com o mesmo período do ano passado. A expansão representa o maior volume de trabalhadores do setor em toda a série histórica iniciada em 2020.

Mesmo com o patamar consolidado, o ritmo de novas contratações perdeu fôlego na economia do Estado de São Paulo. O cenário reflete os impactos diretos da manutenção dos juros elevados, do forte endividamento das famílias e da inflação operando acima do teto da meta. O segmento gerou apenas 5.536 vagas criadas entre janeiro e junho de 2026, número significativamente menor que as 12.005 vagas no primeiro semestre de 2025, configurando o pior saldo para o período em seis anos.

Alimentos e bebidas lideram empregos no comércio atacadista

A maior concentração da força de trabalho do setor foca na distribuição de alimentos e bebidas, grupo responsável por abrigar 194 mil postos. Na sequência, o protagonismo recai sobre os polos de produtos farmacêuticos, perfumarias e higiene pessoal, com 63.539 vagas, e o setor de máquinas de uso comercial e industrial, com 62.469 profissionais ativos.

Oito atividades monitoradas pela pesquisa registraram aumento consecutivo na base de empregos no comércio atacadista ao longo de doze meses. O destaque percentual abrange nichos específicos, como o comércio de papel, resíduos e sucatas, que apresentou alta de 2,6%, seguido de perto pelo avanço de 2,3% em alimentos e bebidas e o crescimento de 1,9% no segmento de equipamentos para uso médico e hospitalar.

A intermediação estrutural entre a indústria, a agropecuária e o varejo transforma as empresas atacadistas em engrenagens essenciais da cadeia logística nacional. O setor financia o capital de giro operacional e garante a capilaridade da oferta de bens de consumo, produtos intermediários e maquinários complexos nos municípios paulistas.

Alta rotatividade impulsiona custos das empresas

A retenção de talentos qualificados desponta como o principal obstáculo administrativo das companhias neste ciclo econômico. A taxa de turnover no setor atacadista estadual saltou para 47,3%, superando com folga o patamar de 45% registrado há três anos. O atual cenário de baixo desemprego permite aos profissionais migrar constantemente em busca de melhores propostas salariais e benefícios flexíveis.

“Acompanhar a taxa de rotatividade do setor é de extrema importância, porque nos mostra tanto o aquecimento do mercado de trabalho como os custos para as empresas”, explica o presidente do Conselho de Comércio Atacadista da FecomercioSP, Ronaldo Jamar Taboada.

Substituições frequentes no quadro de funcionários encarecem radicalmente as operações corporativas, exigindo novos orçamentos para recrutamento, exames admissionais e prolongados processos de treinamento. A curva de aprendizagem retarda a produtividade comercial, exigindo que o recém-contratado domine do zero o mix de produtos ofertados, os fornecedores parceiros e a carteira de clientes de cada distribuidora.

“Se, por um lado, podemos comemorar o pleno emprego, por outro, a dificuldade de reter e de encontrar funcionários qualificados se tornou um gargalo para o setor. Por isso, a gestão de pessoas precisa ser vista como um diferencial competitivo, com investimentos em retenção, planos de carreira, ambientes de trabalho atrativos e qualificação”, afirma Taboada.

Setores que exigem um nível mais alto de especialização técnica enfrentam menor instabilidade no quadro de funcionários. O comércio de produtos médicos, hospitalares e odontológicos registrou uma taxa de rotatividade de apenas 32%, mantendo os indicadores 15 pontos percentuais abaixo da média setorial.

O desafio crônico de estabilizar as equipes exige investimentos diretos em qualificação técnica, especialmente com o apoio de instituições formadoras. A manutenção de um fluxo contínuo e saudável de empregos no comércio atacadista dependerá da capacidade do mercado paulista de transformar a estrutura interna das corporações em uma verdadeira âncora para reter as novas gerações de talentos.

  • Publicado: 25/08/2026 11:48
  • Alterado: 25/08/2026 11:48
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP