Escolas viram polos de tráfego no domingo de eleição

Eleições mudam a mobilidade no entorno das escolas, ampliam o fluxo de pedestres e veículos e exigem atenção redobrada com a segurança viária nas cidades

Escolas viram polos de tráfego no domingo de eleição

Crédito: (Elza Fiúza/Agência Brasil)

No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros sairão de casa para escolher seus representantes nas Eleições de 2026. Além de sua importância para a democracia, o dia provoca uma mudança peculiar na mobilidade das cidades. Ruas normalmente tranquilas aos domingos passam a receber um fluxo incomum de veículos e, principalmente, de pedestres.

Na engenharia de tráfego, empreendimentos que atraem quantidade significativa de deslocamentos por automóveis são conhecidos como Polos Geradores de Tráfego (PGTs) ou, em uma abordagem mais atual, Polos Geradores de Viagens, pois independem dos modos de transportes a serem utilizados. Shopping centers, hospitais, universidades e terminais são exemplos clássicos.

No domingo de eleição ocorre um fenômeno semelhante: durante algumas horas, milhares de escolas e outros locais de votação transformam-se em PGTs temporários.

Se praticamente todos os eleitores exercerem a cidadania, teremos deslocamentos superiores a 34 milhões de pessoas no Estado de São Paulo.

No Estado de São Paulo, cerca de 34 milhões de eleitores estarão distribuídos por mais de 11 mil locais de votação. Entre 8h e 17h, ambientes viários que poderiam estar praticamente sem movimentação alguma, em um domingo, passam a atrair milhares de viagens.

E existe uma característica importante nessa movimentação: não são apenas os eleitores que chegam aos locais de votação. Muitas pessoas vão acompanhadas dos filhos, pais ou outros familiares. Aumenta, portanto, a presença de crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida nas calçadas e travessias próximas às escolas.

Ao mesmo tempo, surgem veículos procurando estacionamento, paradas rápidas para embarque e desembarque, motocicletas, bicicletas e pedestres atravessando entre automóveis estacionados. Uma rua residencial tranquila, durante praticamente todos os domingos do ano, pode apresentar uma dinâmica completamente diferente.

Mudança de comportamento e atenção redobrada

Para o motorista, isso exige mudança de comportamento. Uma criança pode surgir entre dois veículos estacionados, um idoso ou pessoas com mobilidade reduzida podem precisar de mais tempo para completar a travessia e pedestres podem aparecer em pontos onde habitualmente não existe movimentação significativa.

Por isso, os locais de votação deveriam ser observados também pela perspectiva da segurança viária. Sinalização temporária, organização do estacionamento e das áreas de embarque e desembarque, fiscalização e redução da velocidade no entorno podem contribuir para diminuir os conflitos entre veículos e pedestres.

Gratuidade do transporte público em dia de eleição

Ônibus em Santo André - Transporte Santo André
(Eduardo Merlino/PSA)

Neste ano existe ainda outro componente importante para a mobilidade: a gratuidade do transporte público. No Grande ABC, diferentes municípios anunciaram tarifa zero nos sistemas municipais, enquanto o Governo do Estado confirmou gratuidade também no transporte metropolitano, incluindo ônibus e trilhos.

Mais do que facilitar o acesso às urnas, o transporte coletivo gratuito pode reduzir a necessidade de deslocamentos por automóvel e motocicleta até os locais de votação e, consequentemente, diminuir a procura por estacionamento e parte dos conflitos entre veículos e pedestres no entorno das escolas. É uma medida de acesso ao voto que também pode produzir efeitos positivos sobre a mobilidade e a segurança viária.

O domingo de eleição também é cercado por algumas regras que costumam provocar dúvidas.

Uma delas diz respeito às prisões. Desde cinco dias antes da eleição e até 48 horas após o encerramento da votação, os eleitores têm proteção prevista no Código Eleitoral contra prisão ou detenção. Isso não significa, entretanto, que ninguém possa ser preso. A legislação estabelece exceções, entre elas os casos de flagrante delito.

Outra dúvida recorrente envolve a chamada Lei Seca eleitoral. No Estado de São Paulo não haverá proibição eleitoral estadual para a venda ou o consumo de bebidas alcoólicas neste primeiro turno.

Mas é fundamental não confundir Lei Seca eleitoral com Lei Seca no trânsito.

A inexistência de restrição eleitoral ao consumo de álcool não modifica a legislação de trânsito. Dirigir sob influência de álcool continua sendo infração gravíssima e, dependendo das circunstâncias e da concentração constatada, a conduta também pode configurar crime de trânsito.

No Grande ABC, onde muitas escolas utilizadas para votação estão inseridas diretamente em bairros residenciais, essa atenção é especialmente necessária. Durante algumas horas, muda-se completamente a dinâmica daquele espaço urbano, mas sua infraestrutura viária permanece praticamente a mesma.

Para quem dirige, portanto, a recomendação é reduzir a velocidade antes mesmo de chegar à concentração de pessoas, observar as laterais da via e estar preparado para encontrar pedestres fora dos pontos habituais de travessia. Para quem vai votar a pé, vale utilizar as travessias disponíveis e redobrar a atenção, especialmente quando acompanhado de crianças ou idosos. E, para quem consumir bebida alcoólica, a orientação continua sendo a mesma: não dirija.

Ato de cidadania

Ruas Trânsito - Eleições - Eleição
(Tânia Rêgo/ Agência Brasil))

Neste domingo, as escolas serão muito mais do que locais de votação. Por algumas horas, serão importantes Polos Geradores de Tráfego dentro de nossas cidades.

Exercer a cidadania não termina quando apertamos a tecla “confirma” na urna. No caminho de ida e de volta, reduzir a velocidade, respeitar o pedestre, utilizar o transporte público e proteger quem está mais vulnerável, também, são escolhas que rotineiramente devemos fazer.

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho
(Divulgação/ABCdoABC)

Agente transformador da mobilidade urbana. Luiz Vicente é professor dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo no Grupo Wyden de Educação. É doutor em Engenharia Elétrica no Departamento de Comunicação – DECOM – FEEC da Unicamp (2020), mestre em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2009), pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005), possui graduação em Administração de Empresas (2002) e em Engenharia Mecânica (1999), ambas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

  • Publicado: 02/10/2026 15:30
  • Alterado: 02/10/2026 15:34
  • Autor: Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

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