Eleições 2026: saiba como funcionam os cálculos do TSE

Enquanto o modelo majoritário define o Executivo, a divisão de vagas nas eleições para o Legislativo depende dos quocientes eleitoral e partidário

Eleições 2026: saiba como funcionam os cálculos do TSE

Crédito: Imagem: Magnific

A conclusão do primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4), reacende o debate sobre o funcionamento dos dois modelos de votação adotados no Brasil: o sistema majoritário e o sistema proporcional. A divisão explica por que candidatos bem votados individualmente nem sempre garantem eleição para os cargos legislativos.

Nas disputas para os cargos do Executivo e para o Senado Federal, adota-se o modelo majoritário, no qual vence quem atinge a maioria dos votos válidos, desconsiderando brancos e nulos.

Para Presidente e Governador, a legislação exige maioria absoluta (50% mais um dos votos válidos) para vitória em primeiro turno. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantiu a reeleição ao somar 62,65% dos votos válidos. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Governador de São Paulo - Tarcísio de Freitas - ACSP - Salário mínimo paulista. Haddad e Tarcísio. Eleições
Paulo Pinto/Agência Brasil

Já a escolha para o Senado segue a maioria simples: os candidatos mais votados ficam com as vagas. No eleitorado paulista, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) conquistaram as duas cadeiras renovadas nesta eleição.

Sistema proporcional e a dinâmica das bancadas legislativas

A escolha de deputados federais, estaduais e distritais segue a lógica do sistema proporcional, previsto na Resolução TSE nº 23.677/2021. Nesse formato, a distribuição das cadeiras depende do desempenho global do partido ou da federação partidária, que soma os votos nominais de seus candidatos aos votos depositados na legenda.

A engrenagem do sistema proporcional é regida por dois cálculos fundamentais:

  • Quociente Eleitoral (QE): Resulta da divisão do total de votos válidos pelo número de vagas em disputa. Nas eleições para deputado federal em São Paulo, os 23.674.188 votos válidos divididos pelas 70 vagas definiram o Quociente Eleitoral em 338.203 votos. Para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os 23.290.014 votos válidos para 94 vagas fixaram o QE em 247.766 votos.
  • Quociente Partidário (QP): Determina quantas cadeiras caberão a cada legenda, dividindo-se o total de votos recebidos pelo partido/federação pelo Quociente Eleitoral. A fração decimal é desprezada.
Eleições 2026
(Imagem gerada com auxilio de IA)

As vagas conquistadas por uma agremiação são preenchidas por seus postulantes mais votados, desde que tenham alcançado a cláusula de barreira individual: votação nominal mínima correspondente a 10% do Quociente Eleitoral.

Por essa razão, se um partido não atinge o Quociente Eleitoral ou não obtém vagas suficientes pelo cálculo partidário, um candidato com votação expressiva pode ficar de fora, dando lugar a nomes de legendas com somatório total superior.

As vagas remanescentes (“sobras”) são calculadas por médias sucessivas entre os partidos que atingiram os percentuais mínimos de votação exigidos pela legislação eleitoral.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 05/10/2026 11:27
  • Alterado: 05/10/2026 11:28
  • Autor: Daniela Ferreira