Edwin Luisi estreia ‘Eu Sou Minha Própria Mulher’ em SP

Edwin Luisi protagoniza monólogo inédito dirigido por Herson Capri, que narra a história da travesti alemã Charlotte von Mahlsdorf

Edwin Luisi estreia ‘Eu Sou Minha Própria Mulher’ em SP

Crédito: Divulgação

A capital paulista recebe, a partir do dia 11 de setembro de 2026, a montagem inédita na cidade do aclamado espetáculo “Eu Sou Minha Própria Mulher”. Protagonizado pelo veterano Edwin Luisi e sob a direção de Herson Capri, o monólogo dramático cumprirá temporada no Teatro FAAP, no bairro de Higienópolis, com apresentações até o dia 29 de novembro.

O texto, escrito pelo dramaturgo norte-americano Doug Wright e vencedor dos prestigiados prêmios Pulitzer e Tony, resgata a impressionante trajetória real de Charlotte von Mahlsdorf (1928–2002), uma travesti alemã que sobreviveu à repressão de dois dos regimes mais autoritários do século XX: o nazismo e o comunismo na Alemanha Oriental.

Um Ator e 20 Personagens em Cena

Edwin Luisi
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Sozinho no palco, Edwin Luisi assume o monumental desafio de dar vida a 20 personagens diferentes que cruzaram a vida de Charlotte. A galeria inclui desde o violento pai da protagonista e seu amante, até oficiais nazistas e o próprio dramaturgo Doug Wright (que baseou a obra em uma série de entrevistas com Charlotte).

Para o ator, que coleciona mais de 50 anos de carreira e foi amplamente premiado (vencendo o Shell e o APTR de Melhor Ator) na primeira montagem da peça em 2007, a volta ao texto ganha novos contornos devido às transformações da sociedade contemporânea.

“Essa é uma releitura, uma outra produção. A forma como eu encaro o texto é diferente daquela época; passaram-se muitos anos. Vejo o texto hoje muito mais atual, porque fala de identidade, resistência, da liberdade de ser o que se é. Hoje tem muito mais campo para esse tipo de narrativa, é uma pauta importantíssima em qualquer lugar do mundo. Na época em que montei, essas coisas ainda estavam muito diluídas”, reflete Edwin Luisi.

A construção das múltiplas personas exige uma rigorosa transição física e vocal. Luisi explica que a diferenciação não busca a caricatura, mas a verdade de cada figura. “A voz, o corpo, o ritmo, o olhar e até a respiração são ferramentas fundamentais. É preciso encontrar a verdade daquele personagem, porque é ela que faz com que as diferenças sejam percebidas pelo público de uma maneira orgânica”, detalha.

Direção de Herson Capri e o Legado de Charlotte

Edwin Luisi
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A nova encenação marca o reencontro profissional entre Edwin Luisi e o diretor Herson Capri, uma parceria iniciada nos palcos ainda em 1975. A direção optou por uma montagem minimalista que privilegia integralmente o trabalho e os recursos corporais do ator.

“No monólogo, é o ator que comanda, e Edwin está brilhante. É de um talento imenso, tem recursos de interpretação fantásticos e, ao mesmo tempo, é empenhado, vai fundo no estudo. É um dos melhores trabalhos que já vi na vida”, elogia Capri.

A figura central da obra, Charlotte von Mahlsdorf (nascida Lothar Berfelde), é hoje um ícone da preservação da memória LGBTQIAPN+. Após matar o próprio pai abusivo e membro do Partido Nazista para se defender, e sobreviver a uma clínica psiquiátrica, ela adotou sua identidade feminina e dedicou a vida a colecionar objetos do cotidiano. Em 1960, transformou seu acervo em um museu que servia como refúgio clandestino para a comunidade queer na Berlim Oriental.

Serviço do Evento

  • Quando: De 11 de setembro a 29 de novembro de 2026.
  • Horários: Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 17h.
  • Onde: Teatro FAAP
  • Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo/SP.
  • Duração: 80 minutos.
  • Classificação Indicativa: 14 anos.
  • Ingressos: R$ 160,00 (Inteira) e R$ 80,00 (Meia-entrada).
Daniela Ferreira

  • Publicado: 03/09/2026 11:44
  • Alterado: 03/09/2026 11:44
  • Autor: Daniela Ferreira