Dia Mundial do Linfoma alerta para diagnóstico precoce
Linfomas: oncologista de São Vicente explica sinais, necessidade de biópsia e encaminhamento na rede pública
- Publicado: 15/09/2026 11:57
- Alterado: 15/09/2026 11:58
- Autor: Daniela Ferreira
Celebrado anualmente em 15 de setembro, o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas chama a atenção da sociedade para a importância de reconhecer os primeiros sinais da doença e buscar avaliação médica precoce. Os linfomas são neoplasias malignas que afetam os linfócitos glóbulos brancos do sangue essenciais para o sistema imunológico e podem se manifestar em diferentes regiões do corpo, especialmente nos gânglios linfáticos (linfonodos), comumente conhecidos como ínguas, localizados no pescoço, nas axilas e na virilha.
Médico oncologista do AME São Vicente, Paulo Nascimento explica que a enfermidade é dividida em dois grandes grupos: Linfoma de Hodgkin e Linfoma Não Hodgkin. Em cada uma dessas categorias, há diversos subtipos clínicos com níveis de agressividade, comportamentos celulares e esquemas terapêuticos distintos.
“Linfoma é um câncer, uma doença dos linfócitos. Ela não está restrita a um órgão e geralmente se dissemina pelo corpo. Pode se localizar em gânglios ou linfonodos, como os do pescoço, axilas, região inguinal, dentro do abdômen e do tórax”, pontua o especialista.
Sinais de Alerta e Porta de Entrada no SUS
O indicativo clínico mais frequente da doença é o surgimento indolor de caroços ou inchaços nos gânglios do pescoço, das axilas ou da virilha. A recomendação dos profissionais de saúde é manter a rotina preventiva em dia e, diante do aparecimento de qualquer nódulo que persista por semanas sem causa aparente (como uma infecção dentária ou de garganta), procurar de imediato a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência.

“Geralmente, o linfoma se apresenta com um quadro de nódulos cervicais, axilares ou inguinais. Diante da presença desses nódulos, o ideal é procurar o clínico, que fará a avaliação e o encaminhamento necessário para investigação”, orienta Nascimento.
Biópsia e Personalização do Tratamento
A confirmação definitiva do diagnóstico exige a realização de biópsia cirúrgica, que consiste na retirada total ou de um fragmento do nódulo para análise anatomopatológica e imuno-histoquímica. O exame laboratorial detalha as características moleculares das células cancerígenas e indica precisamente qual é o subtipo do tumor.
A definição do subtipo é uma etapa indispensável para orientar a conduta da equipe médica, uma vez que cada variação responde a protocolos farmacológicos específicos.

“É fundamental saber exatamente o tipo de linfoma para escolher o tratamento mais adequado, com a quimioterapia indicada para aquele subtipo e os melhores resultados possíveis. Definir corretamente o diagnóstico é essencial para o tratamento”, enfatiza o oncologista.
Em grande parte dos casos, a quimioterapia é aplicada como intervenção primária de combate às células malignas, enquanto a radioterapia pode ser integrada de forma complementar, conforme a resposta do organismo e a extensão do quadro.
Regulação para a Rede Especializada
Uma vez concluída a confirmação diagnóstica na rede pública, o paciente é direcionado para um Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON). Na Baixada Santista, a articulação regional entre três unidades hospitalares de alta complexidade compõe a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer.
O médico ressalta que a condução terapêutica dos pacientes diagnosticados com linfoma fica a cargo da hematologia: “O paciente, uma vez confirmado o linfoma, é encaminhado para o médico que trata a doença, que é o hematologista. O tratamento é feito junto à hematologia”, conclui.