Deputada pede inclusão do ribociclibe no SUS contra câncer
Deputada Rosana Valle atua na Conitec pela oferta do remédio de alto custo em estágio inicial da doença
- Publicado: 20/08/2026 14:07
- Alterado: 20/08/2026 14:07
- Autor: Daniela Ferreira
A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) solicitou formalmente ao Ministério da Saúde a incorporação do medicamento ribociclibe (comercializado como Kisqali) ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento inicial de mulheres com câncer de mama do tipo receptor hormonal positivo (RH+) e HER2 negativo com acometimento de linfonodos.
O pedido da parlamentar foi protocolado na Câmara dos Deputados durante a fase final da Consulta Pública nº 61/2026, promovida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A iniciativa busca reverter o parecer preliminar do colegiado, que havia recomendado a oferta do fármaco na rede pública apenas para casos com risco elevado de recorrência da doença.
Redução na Recidiva e Custo do Tratamento
O ribociclibe atua no bloqueio das proteínas CDK4/6, responsáveis pelo processo de multiplicação de células cancerígenas. Quando combinado à terapia hormonal, o composto reduz significativamente os riscos de recidiva do tumor.

Atualmente, o custo do medicamento na rede privada inviabiliza o acesso para a maior parte das pacientes brasileiras:
- Preço por Embalagem: Varia entre R$ 6.380,00 e R$ 28.758,00 (caixas com 21, 42 ou 63 comprimidos de 200 mg, conforme tributação estadual);
- Custo Mensal Contínuo: Ultrapassa a marca de R$ 15 mil por paciente;
- Economia Estimada para o SUS: Estudos apresentados à Conitec indicam que a incorporação do fármaco em fases iniciais pode gerar uma economia de até R$ 49,4 milhões aos cofres públicos em cinco anos, ao prevenir tratamentos de alta complexidade decorrentes do avanço de metástases.
Direito à Saúde e Estimativas do INCA
Durante o pronunciamento no Congresso Nacional, a parlamentar defendeu que o SUS deve garantir acesso democrático às inovações científicas:
“No Brasil, tratamento moderno é privilégio de quem pode pagar. Isso precisa mudar. Uma mulher que já enfrentou o câncer não pode continuar convivendo com o medo de a doença voltar, sem ter acesso às alternativas que a Medicina já oferece. Se existe uma opção, ela precisa ser analisada pelo SUS com rigor, mas, também, com urgência”, declarou a deputada Rosana Valle.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil registrará cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028, reafirmando a urgência na ampliação de opções terapêuticas na rede pública.