Consumo das famílias cresce 3,93% em maio, aponta ABRAS

Monitoramento da ABRAS mostra alta de 3,93% no consumo dos lares em maio, impulsionada pelo emprego formal, restituição do IR e programas de transferência de renda.

Crédito: Reprodução/Internet

O consumo nos lares brasileiros registrou crescimento de 3,93% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados integram o levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) divulgado nesta semana. O indicador superou o mês de abril em 2,23% e acumula uma elevação de 2,47% no ano, refletindo dados deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A injeção bilionária de recursos na economia sustentou a demanda interna das famílias. O pagamento do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, estimado em R$ 16 bilhões, reforçou diretamente o orçamento de milhões de contribuintes. Benefícios sociais, como os repasses do Bolsa Família e a antecipação do 13º salário de segurados do INSS, também garantiram fôlego financeiro no período.

O saldo do emprego formal em maio foi menor do que o observado no mesmo período do ano passado, mas permaneceu positivo”, avaliou o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan. O executivo destacou que a previsibilidade de salários de trabalhadores com carteira assinada mantém o consumo nos lares aquecido, mesmo diante de um cenário de juros elevados.

Preço dos alimentos pressiona indicador

A cesta de 35 produtos de largo consumo, monitorada pelo indicador Abrasmercado, encareceu 2,16% no quinto mês do ano. O valor médio nacional do conjunto de itens básicos saltou de R$ 836,80 para R$ 854,91. No acumulado de 2026, a variação chega a 6,82%. O consumidor sentiu o impacto direto da inflação sobre alimentos essenciais nas gôndolas.

Produtos tradicionais na mesa do trabalhador puxaram a curva de preços para cima. O feijão liderou as pressões com elevação mensal de 6,44%, acompanhado pelo arroz e pelo leite longa vida. O setor de hortifrúti sofreu forte interferência climática e ditou altas expressivas, disparando os custos da batata (44,69%) e do tomate (20,62%).

Um movimento de alívio ocorreu apenas em mercadorias processadas específicas. O café torrado e moído barateou 2,38%. Quedas marginais também favoreceram o bolso na compra do açúcar refinado, do óleo de soja e da farinha de trigo.

Variação regional da cesta básica

O Nordeste apresentou a maior inflação direcionada ao consumo nos lares durante o mês, com aumento de 2,79% na cesta geral. O custo local atingiu R$ 772,51, garantindo ainda o título de região mais barata do país para o abastecimento. O Norte manteve o posto oposto, cobrando o preço médio mais alto do território nacional: R$ 939,79.

As disparidades entre capitais escancaram as diferenças estruturais e logísticas do custo de vida brasileiro. Cidades como Salvador (R$ 314,35) e Recife (R$ 314,61) registraram as cestas restritas de 12 itens mais econômicas. Rio Branco assumiu a liderança de preços elevados, exigindo o desembolso de R$ 448,88 dos consumidores locais.

Perspectivas para o mercado de trabalho

A geração de 72.960 empregos com carteira assinada mapeada pelo Novo Caged sinaliza a continuidade da expansão do mercado de trabalho. O Brasil atingiu um estoque de 47,8 milhões de vínculos formais, oferecendo uma base sólida de renda regular. Fatores sazonais e o comportamento da safra agrícola ditarão o ritmo dos preços, definindo o poder de compra e o fôlego futuro do consumo nos lares.

  • Publicado: 09/07/2026 11:05
  • Alterado: 09/07/2026 11:05
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABRAS