Confiança do consumidor sobe, mas consumo das famílias recua
Emprego mantém indicador positivo, mas juros elevados e orçamento apertado forçam as famílias paulistanas a adiar compras no comércio.
- Publicado: 22/10/2026 09:53
- Alterado: 22/10/2026 09:53
- Autor: Thiago Antunes
A confiança do consumidor paulistano registrou leve alta em setembro após duas quedas consecutivas. O avanço reflete a estabilidade do mercado de trabalho, mas esbarra diretamente no freio do endividamento doméstico. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) revelou que a intenção efetiva de compra recuou pelo sétimo mês seguido.
Famílias com orçamento comprometido evitam assumir novas parcelas. Os juros básicos limitam a aquisição de produtos de maior valor, mesmo com a percepção de segurança na manutenção dos empregos atuais.
Emprego sustenta a confiança do consumidor

O índice focado no trabalho atual atingiu 141,2 pontos, liderando os componentes da pesquisa mensal. O mercado aquecido, com taxas de desemprego próximas das mínimas históricas, garante a continuidade da renda e tranquiliza os trabalhadores.
Esse cenário da confiança do consumidor contrasta com as expectativas futuras dos próprios assalariados. A perspectiva profissional registrou a quarta queda mensal, atingindo 108,8 pontos, sinalizando menor otimismo com eventuais promoções ou aumento salarial.
“O descompasso entre a situação presente e as expectativas futuras estimula comportamentos conservadores, especialmente nas decisões que envolvem compromissos de longo prazo”, avaliou a equipe econômica da FecomercioSP.
O impacto das restrições orçamentárias
A percepção sobre a remuneração permaneceu estável na pesquisa. O avanço anual de 2,6% na situação financeira das famílias não se converte em consumo imediato no balcão das lojas. O pagamento de dívidas atrasadas absorve a maior parte da renda disponível.
Para o varejo, o sobe e desce na confiança do consumidor exige adaptação rápida. Lojistas enfrentam um público que pesquisa mais e foge de financiamentos longos.
Crédito caro afasta famílias das lojas
As condições para a aquisição de bens duráveis seguem desfavoráveis e preocupam o setor. O indicador de bens duráveis marcou apenas 80,9 pontos, provando que a população evita trocar de carro ou comprar novos eletrodomésticos neste momento.
O acesso a empréstimos teve ligeira melhora, impulsionado por programas oficiais de renegociação. A regularização do CPF permite retomar crédito, mas o custo alto das taxas afasta quem precisa de recursos. Como reflexo direto, o nível de consumo atual caiu para 86,9 pontos.
Jovens reduzem a confiança do consumidor no mês
A percepção sobre a economia dividiu gerações em setembro. O grupo com 35 anos ou mais apresentou alta de 4,6% no otimismo financeiro, recuperando grande parte das perdas sofridas em agosto.
O público mais novo caminhou na direção oposta ao longo do período. A faixa etária com menos de 35 anos amargou queda de 2,2% na avaliação econômica. A diferença de comportamento expõe a variação na estabilidade das carreiras.
Varejo mira o décimo terceiro
O comércio enfrentará uma demanda altamente seletiva no último trimestre. Compradores buscarão descontos reais durante a Black Friday e o Natal, comparando exaustivamente preços e prazos de pagamento.
A injeção iminente do décimo terceiro salário trará um alívio financeiro pontual. O recurso extra será dividido entre a quitação de débitos pendentes e as tradicionais compras festivas.
O sucesso das vendas dependerá das estratégias de precificação adotadas pelos lojistas. Sem sinais de queda expressiva nos juros, a retomada plena da confiança do consumidor exigirá ofertas transparentes e parcelamentos adequados à realidade do bolso paulistano.