CNJ e PF fazem operação no gabinete de Newton Ramos
Polícia Federal pericia computadores de Newton Ramos no TRF-1 após mensagens reveladas. citarem contrato milionário e precatórios
- Publicado: 24/09/2026 17:42
- Alterado: 24/09/2026 17:42
- Autor: Daniela Ferreira
Por determinação oficial da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), agentes da Polícia Federal (PF) deflagraram, na tarde desta quinta-feira (24), uma operação de correição extraordinária no gabinete do desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A equipe de fiscalização presencial da Polícia Federal e do órgão auditor judiciário ingressou nas instalações do gabinete em Brasília por volta das 15h52.
O procedimento de auditoria e inspeção técnica foi instaurado para periciar computadores, sistemas institucionais, arquivos digitais e documentos físicos mantidos no gabinete do magistrado.
A apuração foca no trâmite e em eventuais irregularidades na condução de processos milionários relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro sob a relatoria do desembargador.
Contrato de R$ 427 milhões e a “Turma do KN”
A operação do CNJ e da PF é um desdobramento direto das mensagens e contratos revelados na última segunda-feira (21 de setembro de 2026) pela coluna da jornalista Andreza Matais, no portal Metrópoles.
Segundo as revelações trazidas a Polícia Federal identificou a existência de uma minuta de contrato de prestação de serviços de advocacia estimada em R$ 427 milhões.
O documento previa o pagamento do montante milionário em caso de êxito em demandas judiciais de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro junto aos tribunais superiores.
A manobra buscava destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios.
De acordo com as apurações divulgadas pelo portal Metrópoles, a sigla “KN” citada no contrato e nas mensagens faz referência direta ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Vínculos no TRF-1 e intermediação de favores
As mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que assessores do banqueiro usavam o termo “Turma do KN” para identificar a atuação do desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e de sua esposa, a advogada Camilla Ramos.
Os diálogos indicam que o magistrado federal mantinha o banqueiro informado sobre o andamento e a tramitação das discussões envolvendo os precatórios na corte.
Além disso, as conversas reveladas apontam que o desembargador, Newton Ramos, intermediava e repassava pedidos de favores atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, como solicitações de reservas de alto padrão no Hotel Fasano.
Acomodação de luxo no Carnaval e repasses no STF
Em outro trecho das trocas de mensagens divulgadas a partir da descoberta, é indicado que o banqueiro articulou a logística de hospedagem de luxo no Rio de Janeiro para um “ministro” identificado nos textos pelo código “KN”, durante o Carnaval de 2025.
Para os investigadores da Polícia Federal, o beneficiário da estadia seria o ministro do STF Kassio Nunes Marques.

A propriedade negociada foi uma mansão de 6 mil metros quadrados avaliada em R$ 250 milhões, com sete suítes e vista para o mar nas proximidades da Pedra da Gávea, pertencente ao ator Márcio Garcia. A reserva do imóvel custou aproximadamente R$ 1,45 milhão.
Todo o acervo contendo o contrato, gravações e a cópia do HD foi encaminhado pela Polícia Federal ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, relator das investigações do “Caso Master”.
Na última semana, a condução do caso gerou reações no Supremo, levando os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes a exigirem formalmente o acesso à íntegra dos materiais do HD.
A cobrança ocorreu diante de suspeitas de que a análise inicial teria focado prioritariamente em citações ao ministro Alexandre de Moraes, omitindo menções a outros membros da Corte. Em resposta, o ministro André Mendonça negou ter direcionado o foco das investigações.