CNC lança campanha contra PEC do fim da escala 6x1

Diante do avanço da proposta no Senado, CNC pede que PEC do fim da escala 6x1 não seja votada antes das eleições

CNC lança campanha contra PEC do fim da escala 6x1

Crédito: Divulgação

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em conjunto com 34 federações e sindicatos filiados, lançou neste final de semana, nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, uma campanha nacional que pede ao Senado Federal a suspensão do debate e da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1 antes das eleições.

Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não.”, o setor produtivo alerta para o risco de aprovação apressada de mudanças rígidas nas relações de trabalho em um momento de incerteza econômica.

Cenário Econômico e Impactos no Setor Terciário

A mobilização da entidade ampara-se em indicadores macroeconômicos adversos vivenciados pelas empresas do setor terciário, que engloba comércio, prestação de serviços e turismo.

Senado Federal.  escala 6x1
Marcos Oliveira/Agência Senado

Dentre os principais gargalos apontados pelas lideranças empresariais, destacam-se:

  • Crédito e Endividamento: Altas taxas de juros, restrição ao crédito formal, níveis elevados de endividamento das famílias e inadimplência corporativa;
  • Desinvestimento e Competitividade: Fuga de capital estrangeiro e encerramento de operações no país;
  • Efeito da ‘Taxa das Blusinhas’: O fim da isenção sobre importações diretas no varejo, avaliado pelo setor como mais um fator de pressão competitiva sobre o comércio nacional formal.

A CNC argumenta que mais de 90% dos trabalhadores do setor produtivo atuam sob o regime 6×1. Segundo a entidade, o aumento abrupto dos custos operacionais sem transição planejada tende a ser repassado aos preços finais, elevando a inflação, retraindo a oferta de vagas formais e estimulando o crescimento da informalidade.

Ponderação de Tadros e Defesa da Negociação Coletiva

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, enfatizou que o setor privado não se opõe à discussão sobre o bem-estar dos colaboradores, mas defende critérios técnicos e prazos adequados para o debate:

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais. Votarmos esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva”, declarou o presidente da CNC.

“O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor. Agora é o momento de preservar a economia e garantir a segurança jurídica do País”, acrescentou José Roberto Tadros.

A confederação defende que os acordos de readequação de horários e turnos sejam pactuados por meio das convenções coletivas de trabalho entre sindicatos patronais e laborais, mecanismo constitucional ratificado pela Reforma Trabalhista de 2017.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 30/08/2026 09:38
  • Alterado: 30/08/2026 09:38
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria