Ciro Immobile: o atacante sem o reconhecimento merecido

Com números impressionantes, títulos e recordes, italiano encerra a carreira sem jamais ter sido colocado entre os grandes atacantes de sua geração

Ciro Immobile: o atacante sem o reconhecimento merecido

Crédito: Ciro Immobile - Reprodução Youtube

Há jogadores que precisam de uma carreira inteira para construir um legado. Outros precisam apenas de alguns anos para serem eternizados. Ciro Immobile conseguiu fazer algo ainda mais curioso: construiu uma carreira extraordinária e, mesmo assim, passou boa parte dela sendo tratado como um atacante menor.

Aos 36 anos, o italiano decidiu colocar um ponto final em uma trajetória de 17 anos no futebol profissional. Foram 306 gols em 599 partidas por clubes, além de 17 gols pela seleção italiana. Mas é principalmente na Itália que seu legado se torna difícil de ignorar.

Os feitos de Ciro

Immobile terminou quatro vezes como artilheiro da Serie A, feito que o transformou no primeiro italiano a alcançar a marca. Em 2019/20, viveu o auge: marcou 36 gols pela Lazio, igualou o então recorde de Gonzalo Higuaín em uma temporada do Campeonato Italiano e conquistou a Chuteira de Ouro europeia, superando nomes como Robert Lewandowski e Cristiano Ronaldo.

Não foi apenas uma temporada isolada. Foram 201 gols em 359 partidas pela Serie A. Pela Lazio, clube onde passou oito temporadas, foram 207 gols em 340 jogos, números que fizeram de Immobile o maior artilheiro da história da equipe.

Seu período na Lazio também representa algo que vai além das estatísticas. Em uma época em que grandes jogadores mudam constantemente de clube em busca de novos desafios, Immobile construiu uma relação duradoura com a equipe romana. Tornou-se capitão, referência ofensiva e símbolo de uma geração do clube.

O peso de ser subestimado

Parte da explicação para a falta de reconhecimento está em suas passagens frustrantes pelo futebol estrangeiro. Borussia Dortmund e Sevilla não funcionaram como esperado, e essas experiências acabaram pesando na percepção sobre o jogador. Também existe o contraste com sua trajetória pela seleção italiana: embora tenha sido campeão da Euro 2020, Immobile nunca conseguiu reproduzir com a camisa da Azzurra o mesmo desempenho que apresentava semana após semana na Serie A.

Seus números pela Itália, inclusive, ficaram muito abaixo daqueles construídos no futebol de clubes. E, para muitos torcedores, são justamente os grandes torneios e os grandes jogos internacionais que ajudam a definir o tamanho de um jogador.

Mas talvez exista outro fator ainda mais importante: Immobile teve o azar de atuar em uma geração excepcional de centroavantes.

Enquanto construía sua carreira, o italiano dividia espaço com nomes como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Robert Lewandowski, Luis Suárez, Karim Benzema, Harry Kane, Sergio Agüero, Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimović.

E talvez seja justamente aí que esteja a injustiça.

Immobile nunca foi um atacante completo no sentido tradicional da palavra. Não tinha a técnica de alguns de seus contemporâneos, tampouco a capacidade de decidir constantemente grandes jogos europeus que fez outros nomes alcançarem um status global. Seu futebol era mais simples: movimentação, velocidade, leitura de espaço e, principalmente, uma capacidade impressionante de estar no lugar certo para finalizar.

E tudo isso funcionou

Funcionou a ponto de fazê-lo quatro vezes artilheiro da principal competição italiana. Funcionou a ponto de conquistar a Chuteira de Ouro em uma época dominada por Messi, Cristiano Ronaldo e Lewandowski. Funcionou a ponto de colocá-lo entre os maiores goleadores da história da Lazio e do futebol italiano.

Talvez Immobile nunca tenha sido um dos melhores jogadores do mundo. Reconhecer isso, porém, não diminui sua carreira.

Porque ser um grande atacante não significa necessariamente estar entre os cinco melhores do planeta. Às vezes, significa passar anos encontrando maneiras diferentes de chegar ao gol, mantendo uma regularidade que poucos conseguem alcançar enquanto outros recebem os holofotes.

Immobile fez exatamente isso. Durante anos, foi um dos atacantes mais eficientes da Europa, mesmo que seu nome raramente aparecesse nas primeiras discussões sobre os grandes centroavantes de sua geração.

O tempo, agora, pode fazer justiça ao que seus números já contavam há muito tempo.

Grazie, Ciro!

  • Publicado: 21/08/2026 17:15
  • Alterado: 21/08/2026 17:15
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC