Ciclone-bomba: veja como funciona o fenômeno que chega ao Brasil

Fenômeno meteorológico deve avançar pelo país e Defesa Civil de São Paulo mantém gabinete de crise para acompanhar impactos causados pelo ciclone-bomba

Ciclone-bomba: veja como funciona o fenômeno que chega ao Brasil

Crédito: (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A formação de um Ciclone-bomba na região Sul do Brasil nesta quinta-feira (6) colocou autoridades em alerta, com previsão de rajadas de vento que podem chegar a 100 km/h e possibilidade de impactos em diferentes áreas do país. A Defesa Civil de São Paulo instalou um gabinete de crise para acompanhar o fenômeno e seus possíveis efeitos.

Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas), além dos ventos intensos, o Ciclone-bomba — marcado pela forte queda da pressão atmosférica e pela aproximação do sistema ao continente — deve provocar chuvas moderadas na sexta-feira (7) e durante o fim de semana.

Entenda como funciona o Ciclone-bomba

O professor Micael Cecchini, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, com apoio do Instituto Serrapilheira, explica que ciclone é um sistema meteorológico de grande escala, podendo alcançar centenas ou milhares de quilômetros de extensão, caracterizado por uma rotação no mesmo sentido do movimento da Terra.

No hemisfério Sul, esses sistemas giram no sentido horário quando observados de cima. Já no hemisfério Norte, o movimento ocorre no sentido anti-horário. Segundo o especialista, qualquer sistema meteorológico que apresente essa rotação recebe o nome de ciclone.

Existem diferentes classificações para esses fenômenos. Os ciclones tropicais ocorrem em regiões próximas aos trópicos e podem dar origem aos furacões. Furacão e tufão são nomes diferentes para o mesmo tipo de evento, com a distinção relacionada apenas ao local onde acontecem.

O termo tufão é utilizado para fenômenos registrados no Japão e no Pacífico noroeste, enquanto furacão é a denominação mais comum para ocorrências no Atlântico, conforme explica Cecchini.

Já os ciclones extratropicais se desenvolvem em áreas de latitudes mais elevadas, enquanto os subtropicais surgem entre as zonas tropicais e extratropicais.

Diferença entre ciclone comum e Ciclone-bomba

Os ciclones extratropicais e subtropicais são formados pelo encontro de massas de ar quente e frio. Essa diferença de temperatura provoca ventos fortes nas camadas superiores da atmosfera, reduzindo a pressão do ar próximo à superfície e dando origem ao sistema meteorológico.

De acordo com o professor, o que diferencia um ciclone tradicional de um Ciclone-bomba é justamente a intensidade da evolução do fenômeno.

Quando o contraste entre as massas de ar é mais acentuado, a circulação atmosférica se torna mais intensa, fazendo com que a pressão na superfície diminua rapidamente. Para que um sistema seja classificado como Ciclone-bomba extratropical, a comunidade científica estabelece como critério uma queda de 24 milibares na pressão atmosférica em um período de 24 horas.

“Na prática, quando se fala em ciclone-bomba, isso indica que uma massa de ar muito mais fria está avançando por baixo de uma massa de ar muito mais quente. Essa situação gera tempestades mais intensas na interface entre essas massas de ar, porque o ar frio, por ser mais denso, empurra o ar quente para cima”, explica Cecchini.

Esse movimento favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades. Quanto maior a diferença entre as temperaturas das massas de ar, mais forte tende a ser o processo, aumentando a possibilidade de eventos severos, como chuvas intensas e queda de granizo.

Após a passagem do sistema, também é esperada uma redução rápida das temperaturas.

O professor destaca que esse tipo de fenômeno não é frequente e, por isso, recebe uma classificação específica. “Essa classificação serve justamente para identificar eventos que exigem atenção especial”, afirma.

Após o alerta divulgado pelo Inmet, as buscas pelo termo “ciclone bomba” cresceram significativamente. Dados do Google Trends indicam que o interesse pelo assunto aumentou mais de 140% entre quarta-feira (5) e quinta-feira (6).

São Paulo monitora possíveis impactos do fenômeno

alertas- Ciclone-bomba - Inmet
© Inmet

A possibilidade de os efeitos do Ciclone-bomba alcançarem São Paulo levou a Defesa Civil estadual a emitir dois alertas, um vermelho e outro laranja, principalmente para esta sexta-feira (7).

Das 16 regiões administrativas do estado, nove estão em alerta vermelho e as demais permanecem em alerta laranja.

Entre as áreas com previsão de ventos mais fortes está a Baixada Santista. O meteorologista da Defesa Civil de São Paulo, William Minhoto, explica que a Serra do Mar pode intensificar as rajadas ao dificultar a passagem dos ventos, funcionando como uma espécie de refletor.

“O ciclone vai atingir principalmente o Rio Grande do Sul, onde há condição para eventos extremos. Em São Paulo, o evento chega com uma frente fria. Hoje (quinta) ainda teremos uma intensidade moderada a forte, com ventos até 70 km/h. Amanhã (sexta), os ventos serão fortes ou muito fortes, podendo chegar até 100 km/h. Depois, no sábado (8), o fenômeno começa a perder força”, afirma Minhoto.

Na tarde desta quinta-feira, entre 15h30 e 17h26, a Defesa Civil enviou dez alertas severos por celular para moradores de municípios do interior paulista.

Os avisos foram encaminhados para as regiões de Ourinhos, Taciba, Ipaussu, Piraju, Assis, Maracaí, Itaí, Santa Cruz do Rio Pardo, Bernardino de Campos e Taquarituba.

Como medida preventiva, as prefeituras de Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, anunciaram a suspensão das aulas da rede municipal durante a tarde desta quinta-feira e toda a sexta-feira.

Os municípios também orientaram moradores e visitantes a evitarem atividades no mar ou deslocamentos de barco, já que a previsão indica ondas de até 3 metros.

  • Publicado: 06/08/2026 17:44
  • Alterado: 07/08/2026 09:03
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FOLHAPRESS