Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal

Candidata do PP vence Leandro Grass no segundo turno e seguirá à frente do DF até 2030, com a crise financeira do BRB entre os principais desafios de seu governo

Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal

Crédito: Celina Leão (PP) (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita neste domingo (25) para comandar o Distrito Federal até 2030. Com mais de 90% das urnas apuradas, a candidata registrava 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% de Leandro Grass (PT). A diferença tornou a disputa matematicamente definida, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), garantindo à atual chefe do Executivo distrital seu primeiro mandato conquistado diretamente para o cargo de governadora.

A vitória mantém o comando do Distrito Federal nas mãos de Celina, que assumiu o governo em março de 2026, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB). Ex-deputada distrital e federal, ela havia sido eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis em 2022 e chegou à eleição deste ano já ocupando a chefia do Executivo. Durante a campanha, procurou construir uma identidade política própria, aproximando-se de lideranças conservadoras e se distanciando do ex-governador, cujo nome passou a ser associado à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

O resultado confirma a vantagem obtida por Celina no primeiro turno, quando recebeu 49,93% dos votos válidos, ficando próxima de vencer sem a necessidade de uma segunda votação. Leandro Grass terminou aquela etapa com 34,47% e conseguiu levar a disputa à rodada decisiva. Apesar da ampliação de sua votação, o candidato petista não conseguiu superar a governadora, que contou com o apoio de nomes influentes da direita no Distrito Federal.

Apoio da direita e afastamento de Ibaneis

Celina Leão  retira isenção tributária de empresas que comprarem vacinas
(Reprodução)

A campanha de Celina Leão foi marcada pela aproximação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), a deputada federal Bia Kicis (PL) e a senadora Damares Alves (Republicanos). Michelle e Bia foram eleitas para o Senado nas eleições deste ano, enquanto Damares já exerce mandato na Casa. Celina também recebeu o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, ampliando sua vinculação com o campo conservador.

Ao mesmo tempo, a governadora buscou reduzir sua associação política com Ibaneis Rocha. O ex-governador deixou o cargo em março com a intenção de disputar uma vaga no Senado, mas desistiu da candidatura em julho, em meio ao desgaste provocado pela tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. A operação, posteriormente rejeitada pelo Banco Central, tornou-se um dos principais problemas enfrentados pela administração distrital e acompanhou Celina durante a campanha eleitoral.

A disputa também foi influenciada pela exclusão de José Roberto Arruda (PSD). Governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010, Arruda chegou a aparecer em situação de empate técnico com Celina em uma simulação de primeiro turno do Datafolha, divulgada em agosto. Sua candidatura, entretanto, foi rejeitada pelo TSE em setembro, em razão de condenações por improbidade relacionadas à Operação Caixa de Pandora, alterando a composição da disputa pelo Palácio do Buriti.

Crise do BRB será um dos primeiros desafios

BRB e Banco Master - Daniel Vorcaro
Divulgação

A reeleição ocorre enquanto o Banco de Brasília enfrenta as consequências financeiras de suas operações com o Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. O BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal, tentou adquirir o Master, mas teve a operação barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Dois meses depois, a autoridade monetária decretou a liquidação do banco de Vorcaro, após sua prisão em uma operação da Polícia Federal.

As investigações apontaram que o BRB transferiu aproximadamente R$ 17 bilhões ao Banco Master, dos quais cerca de R$ 12,2 bilhões estariam relacionados a títulos sem lastro. O prejuízo total ainda não foi divulgado publicamente, e a ausência de demonstrações financeiras referentes a 2025 e ao primeiro semestre de 2026 dificulta uma avaliação completa da situação da instituição.

Durante a campanha, Celina Leão afirmou que não participou das negociações para a compra do Master e declarou que sempre se posicionou contra a operação. Sua versão foi questionada após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, nas quais o ex-banqueiro afirmava que ela não havia ficado de fora das discussões. A governadora contestou a interpretação dos diálogos, classificou a reportagem como descontextualizada e negou ter mantido contato com Vorcaro.

Para enfrentar a situação financeira do BRB, Celina busca viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação, no entanto, enfrenta resistência de grandes instituições financeiras que participariam como garantidoras. A recuperação do banco, a definição das responsabilidades pelas operações investigadas e a transparência sobre o prejuízo estarão entre os temas mais sensíveis do próximo mandato.

Com a vitória nas urnas, Celina Leão permanecerá à frente do Distrito Federal até 31 de dezembro de 2030. O novo período de governo começará sob a necessidade de administrar os desdobramentos do caso Master-BRB, ao mesmo tempo em que a governadora terá de responder às demandas da população por serviços públicos, infraestrutura e segurança.

Edvaldo Barone

  • Publicado: 25/10/2026 20:35
  • Alterado: 25/10/2026 20:36
  • Autor: Edvaldo Barone