Candidatos do PSDB relatam revolta por falta de dinheiro
Integrantes da chapa paulista denunciam escassez de repasses partidários para as campanhas. Quase metade do grupo segue sem nenhum apoio financeiro.
- Publicado: 12/09/2026 17:58
- Alterado: 12/09/2026 18:10
- Autor: Leonardo Nogueira
Os candidatos do PSDB enfrentam um cenário de asfixia financeira na corrida eleitoral paulista. Mensagens de WhatsApp revelam forte indignação da chapa com a ausência de repasses partidários. A legenda prometeu estrutura inicial, mas entregou frustração generalizada.
Membros do partido trocam cobranças diárias nos bastidores. A base exige respostas rápidas. Sem caixa, muitos ameaçam abandonar a disputa.




“Piada. Quem faz campanha assim”, desabafou um dos postulantes em grupo restrito.
Outra integrante relata ter recebido uma cota de 20 mil santinhos físicos. Ela recusou o material. Faltam recursos básicos para pagar os cabos eleitorais responsáveis pela distribuição nas ruas.
A raiz do caixa vazio para candidatos do PSDB
Dirigentes estaduais correm para conter o princípio de motim. O presidente da sigla em São Paulo, Paulo Serra, busca viabilizar aportes emergenciais junto à cúpula em Brasília. A previsão inicial de fundo eleitoral caiu para apenas R$ 5 mil destinados aos quadros sem mandato.
O diretório estadual paulista recebeu cerca de R$ 6 milhões até agora. Esse montante representa 60% da expectativa inicial da coordenação de campanha. O próprio Paulo Serra afirma sentir o impacto do corte financeiro em sua candidatura à Câmara dos Deputados.
Fatores específicos secaram a fonte de recursos da legenda tucana em São Paulo. O comando partidário aponta quatro motivos principais para o desfalque:
- Retenção de R$ 3 milhões devido a uma ação trabalhista antiga.
- Direcionamento compulsório de 50% das verbas para candidaturas femininas.
- Regra nacional que privilegia postulantes com mandatos em andamento.
- Financiamento pesado de figuras históricas como Aécio Neves, Marconi Perillo e Ciro Gomes.
Metade da chapa segue sem repasses oficiais
A matemática eleitoral expõe o tamanho do rombo na base tucana. A Justiça Eleitoral registra números alarmantes sobre a distribuição de recursos. Mais da metade dos concorrentes segue zerada.
Dos 60 nomes que tentam vaga de deputado federal, 25 continuam sem receber um único centavo. A situação piora na disputa pela Assembleia Legislativa. Exatos 42 dos 70 concorrentes não viram a cor do dinheiro partidário.
Luciano Aquino, postulante a deputado estadual, narra quebras de acordo. Dirigentes prometeram R$ 30 mil durante as rodadas de filiação. O valor despencou para R$ 5 mil logo depois, e nenhum repasse caiu na conta oficial até o momento.
A candidata Elaine Amorim precisou recorrer a um empréstimo pessoal de R$ 25 mil para custear serviços de marketing. Ela recebeu apenas R$ 10 mil da legenda. O risco de endividamento afasta lideranças locais.
Disputa de caciques e o futuro dos candidatos do PSDB
A concentração de renda gera críticas abertas aos líderes da chapa. Filiados questionam os valores repassados ao presidente Paulo Serra e à sua esposa, Ana Carolina Serra, que tenta a reeleição na Alesp. Eles concentram cerca de 30% de todo o montante distribuído.
Paulo Serra embolsou R$ 595 mil da direção nacional. Ana Carolina recebeu R$ 375 mil da conta partidária. A base defende que políticos abastados utilizem recursos próprios para liberar o fundo público aos quadros menores.
O ex-prefeito de Santo André rebate as acusações de privilégio. Ele argumenta ter aberto mão de 40% da cota original a qual teria direito. A justificativa não acalma os ânimos de quem panfleta nas ruas sem retaguarda. Sem uma injeção imediata de capital, o partido corre o risco de perder dezenas de candidatos do PSDB antes mesmo de as urnas abrirem.
A reportagem procurou a campanha de Paulo Serra e questionou. Até a publicação dessa reportagem Paulo Serra não se manifestou.