Data: 05/07/2017 09:04 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Paulo Porto é roqueiro do ABC. Músico, Compositor, Pesquisador Cultural e Advogado.

Willian Lee nos deixa... Um legado! Para aprender com ele!

Mais um grande artista brasileiro vítima da hipocrisia política e de mais uma cambada de vagabundos que se dizem de cultura... explode Paulo Porto, indignado. Leia Mais


Willian Lee, músico de rua, fez sua passagem ontem, às 22h no Hospital AC Camargo, onde estava internado, vítima de uma doença produzida pelos homens e que ataca o amador. No Brasil, já virou ditado popular a frase “o Brasil definitivamente não é para amadores”. Concordo com ela. A sabedoria popular, para mim, é divina.

Jesus Cristo, por exemplo, nunca foi um profissional de nada. Jesus amava incondicionalmente e em sua breve passagem por esse planeta, dizia frequentemente que nenhum outro mandamento é necessário se cumprir desde que a gente cumpra apenas o primeiro, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a ti mesmo. Jesus era um amador... Agora, se o Brasil não é para amadores, já caiu por terra o outro ditado, que dizia que Deus é brasileiro...

Tem uma frase de Santo Agostinho onde nos ensina que “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”

E como não sou hipócrita, o que vou dizer aqui sei que é bastante duro e polêmico, posto que verdadeiro. Posto que nasça da indignação e da coragem: A política socialista no Brasil é capitalista. Seu mercado é a desinformação. Seu comércio depende da democracia para que suas barracas se formem em feiras livres, nas ruas, nas escolas, nas instituições religiosas, na mídia... na família...

Nasce e cresce na tal democracia, diante da pseudoliberdade para que eles possam auferir seu máximo lucro de maneira selvagem, voraz e silenciosa... Assim como fazem também os capitalistas, mas não é o caso aqui e agora... Quanto maior a capacidade de esconder seus reais objetivos de luta, maior a capacidade de desinformar. Sim, pois quanto mais desinformadas as pessoas, maior o lucro capital desses políticos, além de maior, evidente, a sua permanência no poder.

Assim, o esforço deles está em fazer a gente pensar como eles querem que a gente pense e, para isso, a desinformação – a principal ferramenta da doutrina deles – precisa ser bela. Só que, sendo a beleza subjetiva, é certo que não haja limites para objetiva-la, ou seja, implantando uma certa e determinada doutrinação cultural a qualquer custo, porque você, a princípio, para eles, é um alvo.

Só que se tudo der certo – do jeito deles – você deixa de ser um alvo e passa a ser um filho desse sistema. Sim, como uma criança inofensiva e submissa. Um medíocre que aceita as condições; um servidor fiel da nova vida; um guisado pronto para ser servido e saciar a fome desses caras.

Se tudo der errado, você continuará sendo um alvo... um alvo que precisa ser posto pra fora desse jogo. Que precisa ser aniquilado.

E a técnica foi mais ou menos assim: Depois da ruptura do estado de direito nos anos 80 no Brasil e a conquista da democracia, os anos 90 na música, na arte e na cultura, foram regados a putaria e ao besteirol e, evidente, a sexualidade é uma forma animal – não racional – de atração ao verdadeiro golpe de desconstrução de ideias e ideais e do estado de coisas.

A mídia televisiva teve um papel fundamental nessa história. De sushi erótico no Faustão até apresentadora de programa infantil de maiô, passando por banheiras de Gugus e testes de fidelidades, por exemplo, a putaria e besteirol fez o homem voltar a um estado mais bicho que humano e a mulher mais objeto do que pessoa para, na década seguinte, reintroduzir conceitos culturais como o politicamente correto e a tratar os desiguais como iguais, o que na verdadeira democracia isso é inconcebível, fazendo assim o Estado tutor e ditador das regras dentro de um novo conceito de ideia, exclusivo, onde as cabeças pensantes e a verdadeira arte – como a de Willian Lee e de tantos outros, fossem postas para fora do novo sistema, renegando-os ao nada, desejando-lhes o desaparecimento completo das divergências artísticas e intelectuais.

Assim, a conquista do político é negativa. É onde está o seu êxito. As massas agora são manobráveis e a liberdade de pensar e agir só nascem a partir de seus conceitos absolutos.

Mas Willian Lee se jogou na direção de seus sonhos. Abriu a porta para o universo e recebeu todos os talentos por ele constituídos e nunca os negou ou os refutou, posto que o Universo houvesse preparado isso pra ele. Assim como os seus talentos e sonhos que, não sei se você os persegue, os aceitam ou os refuta. Ele mostrou a sua grandeza e nós devemos ser gratos a ele não apenas por permitir que contemplássemos essa grandeza, mas por ser ele igualmente grande e corajoso por receber e aplicar seus talentos, mas, no entanto, permanecendo assim, um alvo.

Fecharam porta atrás de porta pra ele nessa sua passagem por aqui. Os doutrinadores do sistema não queriam que ele mostrasse a sua grandeza. Afinal, ele não seria um bom exemplo diante de seus filhos conquistados a partir de um plano de dominação cultural que a nós foi imposto. Mas, guerreiro que foi, ele nunca desistiu...

Nunca abandonou seus talentos e foi encontrar nas ruas o seu espaço. Contra tudo e contra todos... Pra chegar até a gente com sua arte real. E se tornou um dos maiores artistas de rua do País. Pra ensinar a gente a admirar a grandeza. Sim, porque grandeza atrai grandeza. Pra mostrar pra gente o que de fato é liberdade. Pra mostrar que não devemos ser medíocres. Pra nos ensinar a sermos amadores.

Em uma dura estrada, atacada sobremaneira por uma política de dominação da qual ele e muitos outros artistas não pactuaram e não pactuam e que, por isso, continuaram alvos. Até que essa maldita doença que achaca aqueles que amam o que fazem e fazem o que amam, sem nunca desistir de seus sonhos, viera, para lhe aplicar o golpe final.

Willian Lee: Que tua nova estrada seja alumiada e bela. Até a tua nova morada, onde você certamente será recebido com festa. Obrigado por nos ensinar a não desistir de nossos sonhos. Obrigado por ser um amador...

Willian Lee, músico de rua
Willian Lee, músico de rua

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