Data: 13/10/2021 09:04 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Luiz Humberto Monteiro Pereira/AutoMotrix

Teste do Chevrolet Tracker Premier Automático Turbo 133 cavalos - Linha de frente

O utilitário esportivo Tracker, inspirado pela versão “top” Premier, assume uma função estratégica na retomada das vendas da Chevrolet no Brasil


Chevrolet Tracker Premier Automático 1.2 Turbo
Chevrolet Tracker Premier Automático 1.2 Turbo

Crédito: Luiza Kreitlon / Agência AutoMotrix

A nova geração do Chevrolet Tracker, lançada em março de 2020, foi uma das primeiras “vítimas” automotivas da Covid-19 – devido às regras de isolamento social, a apresentação oficial foi desmarcada em cima da hora e o modelo foi revelado apenas na internet. De lá para cá, o mercado brasileiro encarou outro “efeito colateral” da pandemia – o desabastecimento de componentes nas linhas de produção, notadamente, os semicondutores. A General Motors foi uma das fabricantes mais prejudicadas, e a produção nacional dos modelos da marca Chevrolet ficou parada por meses. A marca que liderava o mercado brasileiro até março de 2020, quando vendeu 25.451 unidades, um ano e meio depois, encarava uma indigesta sexta posição – em agosto 2021, obteve apenas 8.941 emplacamentos e ficou atrás de Fiat, Volkswagen, Toyota, Hyundai e Jeep. No final de setembro, com a retomada da produção de automóveis nas unidades de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS), a reação já apareceu, com a Chevrolet vendendo 17.072 unidades mensais para se posicionar em terceiro lugar no ranking, superada apenas por Fiat e Volkswagen. A retomada das vendas da marca está sendo protagonizada pelo hatch Onix, o sedã Onix Plus e o utilitário esportivo Tracker. Dentro da linha do SUV compacto, a versão “top” Premier Automático Turbo 133 cavalos tem a função de explicitar as melhores virtudes. Não por acaso, tornou-se a “estrela” de grande parte das propagandas da Chevrolet.

O Tracker herdou a plataforma GEM, desenvolvida na China em parceria com a SAIC e adotada também no Onix e no Onix Plus. Em termos de estilo, o Tracker ostenta um aspecto aerodinâmico, reforçado pelos vincos em toda a carroceria, especialmente no capô. Na traseira, o aerofólio integrado com o “brake light” reforça a esportividade. Embora utilize a mesma plataforma do Onix, o SUV traz bitolas mais largas e um novo subchassi dianteiro, além de ser o primeiro da família compacta da Chevrolet a ter rodas de 17 polegadas. A configuração Premier ostenta uma série de prerrogativas na linha Tracker – e, por isso mesmo, não oferece opcionais. É a única que traz rack de teto, rodas aro 17 diamantadas de cinco furos, lanternas com assinatura de leds e faróis full-led, integrando luzes diurnas e de conversão em manobras. As linhas de leds do para-choque, que são apenas luzes diurnas nas outras versões, têm a função de seta na Premier, diferenciando-se também por detalhes acetinados na base dos para-choques e de frisos e maçanetas com acabamento cromado.

Por dentro, a versão topo de linha vem com bancos em um revestimento sintético que imita couro, detalhes em azul marinho no painel, nos bancos e nas portas e de inscrições “Premier” nos tapetes e soleiras das portas. A lista de equipamentos inclui sistema de estacionamento automático, alerta de ponto cego, alerta sonoro e visual de distância do carro à frente com frenagem automática de emergência, monitoramento de pressão dos pneus, retrovisor fotocrômico, chave presencial e partida por botão, carregador de celular por indução e a central MyLink com tela de 8 polegadas, que oferece Wi-Fi nativo com chip de internet 4G da Claro (gera uma mensalidade). Toda a linha Tracker traz seis airbags – frontais, laterais e de cortina. E ainda há o sistema OnStar, que oferece ajuda para quem procura pontos de interesse não conhecidos ou em caso de acidente. A partir da linha 2022, o Tracker passou a ter espelhamento sem fio para Apple CarPlay ou Android Auto – recurso ainda incomum mesmo em modelos de luxo.

A versão topo de linha do Tracker estreou o motor 1.2 flex de três cilindros da família CSS Prime, com turbocompressor mas sem injeção direta, produzido na fábrica de Joinville, em Santa Catarina. Entrega 133 cavalos e 21,4 kgfm quando abastecido com etanol e trabalha associado a um câmbio automático de 6 marchas. Já as versões mais baratas do Tracker adotam o mesmo 1.0 tricilíndrico turbo flex de 116 cavalos e 16,8 kgfm apresentado na linha Onix, no ano passado, também sem injeção direta. O motor 1.2 vem sempre acompanhado da caixa automática de 6 velocidades. Como ocorre no Onix e no Onix Plus, o Tracker não tem borboletas para trocas sequenciais das marchas. Os botões “+” e “” na alavanca servem para trocas manuais e para limitar a maior marcha disponível no modo “L” do câmbio – funciona como um freio-motor, evitando que a transmissão vá para as marchas mais altas em longas descidas, por exemplo. No trânsito urbano, o sistema start-stop cumpre a função de racionalizar o uso de combustível. Na recentemente liberada tabela de 2021 do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o Tracker Premier Automático Turbo 133 cavalos aparece com um consumo de 7,7 km/l na cidade e de 9,4 km/l na estrada com etanol e de 11,2 km/l na cidade e de 13,5 km/l na estrada com gasolina, que rendeu uma nota “C” tanto na comparação relativa da categoria quanto na absoluta geral. O tanque de combustível do Tacker leva 44 litros e é um dos menores do segmento – só supera os 41 litros do Nissan Kicks.

No embalo dos aumentos de preços que se alastram por toda a economia brasileira, a versão Premier Automático Turbo 133 cavalos do Tracker parte atualmente de R$ 141.790 – isso apenas na cor metálica Azul Eclipse (azul escuro). A cor sólida Branco Summit (a do modelo testado) acrescenta R$ 850 e todas as outras metálicas (Prata Switchblade, Cinza Satin Steel, Preto Ouro Negro e Vermelho Chili) somam R$ 1.600 à fatura. Os Estados do Amazonas, Acre, Amapá, de Rondônia, Roraima e São Paulo têm variações de preço decorrentes da tributação local. A configuração Premier está disponível também em uma versão com motor 1.0 turbo de 116 cavalos e 16,3 kgfm, que sai R$ 9.240 mais barata. Além do motor com menos potência e torque, a versão Premier 1.0 Turbo vem sem o teto solar panorâmico com abertura elétrica, só disponível com o motor 1.2.

EXPERIÊNCIA A BORDO
Retrato de família
O “parentesco” do novo Tracker com a linha Onix é evidente. Volante, itens do painel e mostradores analógicos do quadro de instrumentos são os mesmos do hatch e do sedã da Chevrolet – no SUV, as imagens da tela do computador de bordo são coloridas. A posição de dirigir oferece boa ergonomia e o volante tem ajuste de altura e profundidade. Os bancos dianteiros também têm ajustes mecânicos de altura e profundidade, o encosto de braço tem estofamento e o banco traseiro recebeu um descansa-braço central.

O mesmo tom azulado dos bancos é adotado na área das portas e na faixa central do painel, uma rara superfície “soft touch” em meio à predominância de plásticos rígidos. A central multimídia tem tela de 8 polegadas. Como no Onix, há uma porta USB dianteira e duas traseiras. O teto solar panorâmico com abertura elétrica é de série na versão Premier Automático Turbo 133 cavalos e amplia agradavelmente a sensação de espaço a bordo. Detalhes como Wi-Fi nativo, pareamento sem fio para Apple CarPlay ou Android Auto e carregador de celular “wireless” ajudam a cativar os aficionados por tecnologia.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Precisão no ajuste
O motor 1.2 turbo do Tracker é bem assessorado pelo câmbio automático de 6 marchas, com o conjunto respondendo rapidamente às solicitações feitas pedal da direita. A disposição adicional proporcionada pelo turbo faz diferença em relação aos motores aspirados de potência similar. Disponível já a duas mil rpm, o torque máximo de 21,4 kgfm permite entregar arrancadas espertas. A transmissão tem passagens mais harmoniosas do que no Onix. O câmbio seria beneficiado por um modo “Sport”, e a ausência de borboletas para passagem manual das marchas também é sentida por quem aprecia uma condução mais esportiva. O volante é leve nas manobras de estacionamento e fica mais firme em velocidades elevadas.

 No Tracker 1.2 turbo, o ajuste bem sintonizado da suspensão oferece uma qualidade de rodagem superior à dos Onix, notadamente em relação às vibrações e ao nível de ruídos. Os pneus aro 17 do Tracker ajudam a absorver melhor as irregularidades do piso e a superar valetas e quebra-molas – o desempenho só não é melhor nesse aspecto porque a altura em relação ao solo de 15,7 centímetros é das menores entre os utilitários esportivos compactos. Em compensação, a altura e a precisão do conjunto suspensivo contribuem para que o Tracker ofereça uma sensação de dirigir que se distancia do estilo tradicionalmente abrutalhado dos SUVs – o que é uma das características mais interessantes do modelo da Chevrolet. Nas curvas fechadas e em altas velocidades, a carroceria se inclina ligeiramente mais que a do Onix, mas sem afetar a sensação de segurança. O bloqueio eletrônico do diferencial dianteiro, que a Chevrolet chama de Torque Vectoring by Brake, atua nos freios para ajustar a distribuição de torque nas rodas da frente e corrigir a trajetória no limite da aderência.

FICHA TÉCNICA
Chevrolet Tracker Premier
Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 12V, 1.199 cm³, comando duplo variável, flex, turbo, injeção eletrônica de combustível. Tração frontal.
Potência: 132/133 cavalos (gasolina/etanol) a 5.500 rpm
Torque: 19,4/21,4 kgfm (gasolina/etanol) a 2 mil rpm
Câmbio: automático de 6 marchas
Direção: elétrica
Suspensão: dianteira independente do tipo MacPherson e traseira com eixo de torção
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e ESP
Pneus: 215/55 R17
Dimensões: 4,27 metros de comprimento, 1,79 metro de largura, 1,62 metro de altura e 2,57 metros de entre-eixos
Tanque: 44 litros
Porta-malas: 393 litros
Peso: 1.271 kg
Preços: R$ 141.790 na cor metálica Azul Eclipse (azul escuro) e R$ 142.640 na cor Branco Summit do modelo testado. Os Estados do Amazonas, Acre, Amapá, de Rondônia, Roraima e São Paulo têm variações de preço decorrentes da tributação local.

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