Data: 14/09/2018 17:45 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Jorge Andrade

O OURO NO BRASIL

Com a descoberta do ouro e minérios nas Minas Gerais, a metrópole portuguesa passa a enxergar a sua colônia nas Américas de modo mais otimista e promissor.


Como vimos em nosso último artigo, a política de Portugal era de povoação do litoral da colônia, não estendendo, nos dois primeiros séculos de colonização, para o interior dessas terras. Tal postura demonstra que os portugueses, não tinham tantos interesses no Brasil neste início de colonização. Isso se dá pelo fato de que não haviam encontrado, pelo menos até meados do século XVII, nenhuma riqueza substantiva, que fizesse com que a Coroa investisse de maneira intensiva nessas terras. Como sabemos, a economia brasileira até esse período, se deu inicialmente através da extração do Pau-Brasil e, posteriormente, com a percepção de terras férteis e com condições de se realizar uma produção em larga-escala de uma monocultura, criou-se a economia açucareira, ou seja, o Brasil passou a competir no mercado de produção da cana-de-açúcar.

Tal produção, compõe o que chamamos de Plantation. A Plantation, é classificada por alguns pontos, são eles:

  • Monocultura: É o cultivo de um único produto agrícola, no caso estudado, a cana-de-açúcar.
  • Latifúndios: Grandes parcelas de terras, dedicadas ao cultivo específico de um único produto, sendo este latifúndio reservado a um explorador.
  • Sistema Escravista: O sistema escravista é parte muito importante nessa estrutura de produção, sendo a mão de obra escrava, utilizada para a manutenção das plantações.
  • Mercado externo: Toda a produção dessas grandes parcelas de terra, são dedicadas ao comércio exterior. Nesse caso, devemos entender “comércio exterior”, como os países que se relacionavam comercialmente com Portugal (a Metrópole colonizadora do Brasil que, portanto, detinha a maior parte do lucro conquistado).

Posto isso, podemos perceber que o Brasil nesse período era visto apenas como uma colônia capaz de produzir recursos importantes, mas que não merecia uma atenção tão elevada da Coroa no momento. No entanto, a partir de meados do século XVII (por volta de 1651) a crise açucareira começa a tomar conta da Colônia, deste modo, o lucro obtido pela Metrópole, também passa a ser comprometido. A partir desse panorama, a Coroa portuguesa, a fim de firmar um acordo com a Espanha, propõe um tratado (1693), onde se comprometeria a mandar quatro mil escravos aos domínios espanhóis. Não preciso dizer, que tal tratado teve um impacto muito grande nas principais colônias portuguesas (Brasil e Angola), isso porque para o Brasil, não era nem um pouco interessante que Portugal deixasse de manter o seu comércio escravagista com o Brasil, posto que este era um dos mercados mais lucrativos para a Colônia.

Pensa comigo, em muitos casos, escravos que estavam no Brasil, eram vendidos aos países da América Hispânica (Argentina, Peru, Chile, etc), pelos próprios brasileiros, que os traziam de Angola e comercializavam aqui nas Américas. Dessa perspectiva, Portugal ao mandar quatro mil escravos para a Espanha, consequentemente às colônias espanholas, atrapalharia diretamente o negócio de muitos que comercializavam escravos no Brasil.

Mediante tal iniciativa, Brasil e Angola resolvem estabelecer um acordo entre si, de modo a evitar que Portugal mantenha esse acordo, pois se o Brasil ganhava através do comércio com a América espanhola, Angola também ganhava através do comércio com o Brasil e, ter que dar de graça aos espanhóis quatro mil escravos, não foi uma ideia bem aceita pela elite comerciante de Angola.

O Brasil, financiado pela Coroa, que mediante as dificuldades em negociar com a Espanha, bem como, sofrendo a crise do açúcar, resolve investir em campanhas que visassem a interiorização do Brasil, ou seja, você lembra que os portugueses permaneciam sempre no litoral brasileiro né? Pois é, a partir de agora, a Coroa irá investir para que a colonização se expanda para dentro do território. É nesse momento, que em 1693, os paulistas (bandeirantes), muito conhecidos por serem “bárbaros” e “homens do mato”, em relação a elite portuguesa que vivia na Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco, encontrará o ouro nas Minas Gerais. Tal descoberta despertou os interesses da Coroa na Colônia, e a partir de então uma hierarquia passa a ser bem delimitada em relação as terras pertencentes ao Reino de Portugal, como no esquema a seguir:

PORTUGAL – O território mais importante do reino, ou seja, é lá que está concentrada a família nobre, bem como, a elite mais poderosa e influente. Era a capital do Reino.

BRASIL – Passa a ser a parcela de terra, economicamente mais importante para Portugal, isso pelo fato de que sem o Brasil, Portugal teria muitas dificuldades para se manter, devido ao fato de ser um país pequeno, sem terras próprias para produção em grande escala, com um baixo contingente de pessoas e, consequentemente, de força armada. Portanto, Portugal tinha poucos recursos para alimentar sua economia.

ANGOLA – Era a parcela de terra que menos interessava a Coroa no período. Embora o comercio escravagista fosse muito lucrativo, Angola não tinha outra serventia para o Império Português, que não fornecer escravos a baixo custo. Pois, assim, dava condições para a manutenção do Brasil, dado que este sim financiava toda a estrutura do reinado.

Agora que você já sabe a importância que cada colônia tem, no período do Império português, abordaremos em nosso próximo artigo, como a descoberta do ouro mudou a vida da colônia. Tais mudanças contemplam desde os aspectos urbanos até a própria escravidão, relações públicas, bem como, o modo que o Brasil será visto pela sua Metrópole. Espero que você tenha gostado do artigo e que continue sempre nos visitando, pois, toda semana tem um texto novo.

Grande abraço,

Jorge Andrade.

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