Brasileiros estão entre os mais insatisfeitos com infraestrutura, diz Ipsos
Levantamento aponta que 45% dos brasileiros avaliam negativamente a infraestrutura do país; abastecimento de água, saneamento e prevenção de enchentes lideram lista de prioridades
- Publicado: 17/07/2026 14:39
- Alterado: 17/07/2026 14:39
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: Ipsos
A percepção dos brasileiros sobre a infraestrutura nacional está entre as mais negativas do mundo, segundo o Global Infrastructure Index 2026, pesquisa realizada pela Ipsos em 29 países. O estudo mostra que 45% dos brasileiros se dizem insatisfeitos com a infraestrutura do país, percentual superior à média global, de 30%.
O levantamento também revela que 65% da população acredita que o Brasil não investe o suficiente em infraestrutura, enquanto apenas 28% consideram que o país possui um bom histórico na execução de obras.
Investimentos em infraestrutura são considerados insuficientes
A pesquisa indica que a avaliação sobre os investimentos públicos é predominantemente negativa. Dois em cada três brasileiros entendem que o país ainda não destina recursos suficientes para atender às necessidades da população nessa área.
Esse índice é oito pontos percentuais acima da média mundial, que ficou em 57%. A percepção de insuficiência é mais elevada entre homens, pessoas da geração Baby Boomer e entrevistados de maior renda.
Além da falta de investimentos, a confiança na capacidade de entregar grandes projetos também é reduzida. Apenas 28% afirmam acreditar que o Brasil possui um histórico positivo na conclusão de obras de infraestrutura.
Água, saneamento e combate às enchentes lideram prioridades
Quando questionados sobre quais áreas deveriam receber mais investimentos, os entrevistados apontaram demandas ligadas aos serviços essenciais e à adaptação das cidades às mudanças climáticas.
As prioridades citadas foram:
- Abastecimento de água e esgoto (55%);
- Defesa contra inundações (55%);
- Construção de novas moradias (46%);
- Calçadas, passarelas e áreas para pedestres (38%);
- Rodovias e vias principais (34%);
- Infraestrutura para energia solar (33%).
Os resultados mostram que temas relacionados à qualidade de vida urbana e à segurança diante de eventos climáticos extremos concentram as maiores preocupações da população.
Infraestrutura é vista como motor da economia
O estudo também aponta que os brasileiros associam investimentos em infraestrutura ao desenvolvimento econômico.
Segundo a pesquisa, 74% acreditam que ampliar os investimentos no setor contribui para gerar empregos e estimular a economia. Além disso, 40% defendem o aumento dos gastos em infraestrutura, mesmo que isso represente impostos ou custos mais elevados para os consumidores.
Mudanças climáticas influenciam percepção da população
Outro aspecto abordado pelo levantamento é a preparação da infraestrutura brasileira diante das mudanças climáticas.
De acordo com os dados, 72% dos entrevistados afirmam que investir em infraestrutura é importante para enfrentar os impactos climáticos, enquanto 69% consideram que o país ainda não possui estruturas suficientemente adaptadas para lidar com esses desafios.
A pesquisa indica que obras voltadas à prevenção de enchentes, abastecimento de água e modernização das cidades ganharam maior relevância na percepção dos brasileiros.
Participação do setor privado recebe apoio da maioria
A pesquisa também investigou a opinião da população sobre a atuação da iniciativa privada no setor.
Segundo o levantamento, 72% dos brasileiros concordam com investimentos privados em infraestrutura, desde que eles resultem nas melhorias necessárias.
Em relação à eficiência, 27% acreditam que empresas privadas utilizam melhor tecnologias de ponta para manter a infraestrutura, enquanto 22% atribuem essa capacidade ao setor público. Por outro lado, 31% consideram que o poder público atende melhor às necessidades de toda a população, percentual superior aos 16% que apontam o setor privado.
Como foi realizada a pesquisa
O Global Infrastructure Index 2026 foi conduzido pela Ipsos entre 24 de abril e 8 de maio de 2026, ouvindo 21.521 adultos em 29 países por meio da plataforma Global Advisor.
No Brasil, a amostra foi de aproximadamente 1.000 entrevistados, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais, considerando um intervalo de credibilidade adotado pela empresa. Os dados foram ponderados para refletir o perfil demográfico da população adulta brasileira com base no censo mais recente.