Data: 15/10/2020 19:30 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo, Revista Fórum

Sobrinho de Bolsonaro pede exoneração de gabinete de senador pego com dinheiro na cueca

Léo Índio foi orientado por aliados do governo a deixar função de assessor de Chico Rodrigues, alvo de operação da PF


Léo Indio, sobrinho de Bolsonaro, pede exoneração do gabinete de Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro na cueca
Léo Indio, sobrinho de Bolsonaro, pede exoneração do gabinete de Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro na cueca

Crédito: Reprodução

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, pediu nesta quinta-feira, 15, exoneração do cargo de assessor parlamentar do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), alvo de uma operação da Polícia Federal na quarta-feira, 14. Foram encontrados R$ 33.150,00 na cueca do então vice-líder do governo e outros R$ 10 mil e US$ 6 mil em um cofre.

Léo Índio foi orientado por aliados do governo a deixar a função de assessor de Chico Rodrigues. O movimento faz parte da estratégia de blindar Bolsonaro no caso. A Presidência da República dispensou o senador do cargo na manhã desta quinta.

A interlocutores, Léo demonstrou preocupação com a repercussão do episódio e fez consultas sobre como proceder, se deveria ou não esperar a conclusão da investigação. Foi aconselhado a se antecipar e se desvincular de Chico Rodrigues. Nesta tarde, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do senador. A decisão, no entanto, precisa ser validada por uma votação do Senado.

Chico Rodrigues, que por 20 anos foi colega de Câmara de Bolsonaro, deu emprego a Léo Índio em seu gabinete no Senado em abril de 2019. Léo é filho da irmã de Rogéria Nantes, que é mãe do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Durante a campanha presidencial, ele era figura constante em vídeos gravados por Bolsonaro em casa, na Barra da Tijuca, no Rio. No início do governo, Léo Índio era presença constante no Palácio do Planalto, onde esteve 58 vezes nos primeiros 45 dias de gestão Bolsonaro.

A pedido de Carlos Bolsonaro, de quem era muito próximo e chegou a morar no Rio, Léo foi indicado para assumir um cargo no governo, mas na época o então ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, atuou para impedir a nomeação. Léo Índio então ganhou o cargo de confiança no Senado com um salário de R$ 22 mil.

Em abril de 2019, quando foi nomeado no gabinete de Chico Rodrigues, Léo Índio escreveu a seguinte nota para a imprensa:

“ Há algumas semanas recebi o convite do Senador Chico Rodrigues, a quem admiro há bastante tempo, para compor sua equipe de trabalho. Nossa convivência foi estreitada desde os primórdios da campanha de Jair Bolsonaro à presidência, quando o senador pôde constatar algumas das minhas características e a convergência de nossas ideias. Pertenço à família do Presidente, como já foi veiculado algumas vezes pela imprensa, razão pela qual constantemente suporto julgamentos e diversos tipos de ataque, e farei questão de trabalhar para mostrar o quão injustos são.

Sempre acreditei na meritocracia e no valor do trabalho, verdadeiro fiador das liberdades individuais. A boa política, entretanto, é indissociável de mim desde a infância.

Minhas características profissionais são fruto de duas décadas de trabalho árduo e de preciosas lições aprendidas em família. Assim herdei o apreço pela honestidade e o amor pela Pátria, valores que compartilho também com quase sessenta milhões de brasileiros que confiaram seu voto em meu tio, Jair.

O Senador Chico Rodrigues, assim como eu, é parte dessa multidão que confia no projeto do nosso Presidente e, a partir de hoje, juntos, não mediremos esforços para honrar a missão de servir ao País, especialmente ao Estado de Roraima. Agradeço ao Senador pela confiança em mim depositada, sentimento que quero ser digno de despertar em todos que apoiam minha família.

Leonardo Índio

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