Data: 10/07/2020 12:00 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Sem evidência, governo liga cloroquina a contágio menor

Sem apresentar evidências, o Ministério da Saúde disse que o uso precoce de medicamentos, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, fez a pandemia perder força em alguns locais do País


Ministério da saúde diz que cloroquina reduziu contágio, mas não apresentou evidências
Ministério da saúde diz que cloroquina reduziu contágio, mas não apresentou evidências

Crédito: Reprodução

Só nesta quinta-feira, 9, o Brasil registrou 1.199 novas mortes e 42.907 novos casos.

No total, já são 69.254 óbitos pela doença e 1.759.103 infectados. Os dados são de levantamento conjunto feito pelos veículos de comunicação Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha de S. Paulo e UOL com as secretarias estaduais de Saúde

"O número absoluto (de casos) segue crescendo, mas a velocidade vem diminuindo. Há evidências também de que em algumas cidades e Estados aplicou-se o tratamento medicamentoso precoce, justamente o que contribui para o decréscimo dessa curva pandêmica", disse o secretário executivo do ministério, Elcio Franco.

Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (Sctie), Hélio Angotti Neto foi mais cauteloso. "Sim, há indícios, divulgados em vários lugares da internet, mas ainda não podemos afirmar de forma inequívoca que o uso de específico da cloroquina reduziu o número de casos graves no País."

Não há estudo científico que mostre benefício da cloroquina contra a covid-19. O uso da droga tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. Diagnosticado com a doença, ele diz estar tomando o remédio.

Franco voltou a dizer que a orientação da pasta deixou de ser para "ficar em casa", em caso de suspeita da covid-19. A sugestão é buscar o médico. Segundo ele, o SUS está preparado para atender à demanda.

O ministério disse ainda que apenas 12% dos hospitais filantrópicos e Santas Casas receberam a sua parcela entre os R$ 2 bilhões liberados pelo governo federal por meio de lei aprovada no fim de março. Segundo Franco, Estados e municípios devem descentralizar o recurso repassado pela União.

Sobre o abastecimento de sedativos - em falta nos hospitais, segundo relatos de secretarias de Saúde -, o ministério disse ter requisitado estoques de indústrias nacionais e abriu pregão para compra.

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