Data: 18/01/2021 18:37 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Pazuello diz que fez tudo por Manaus e reclama da imprensa

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou a tentar afastar do governo federal de responsabilidades pelo colapso de saúde em Manaus, no Amazonas


Pazuello tentar afastar do governo federal de responsabilidades pelo colapso de saúde em Manaus
Pazuello tentar afastar do governo federal de responsabilidades pelo colapso de saúde em Manaus

Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

Desde a semana passada, a cidade não tem oxigênio para todos os pacientes da covid-19 e até para bebês prematuros.

"Fizemos tudo o que tinha de fazer. Estamos fazendo e vamos continuar fazendo", disse Pazuello nesta segunda-feira, 18, no Palácio do Planalto, em entrevista à imprensa.

O general negou a lentidão do governo federal para oferecer ajuda na entrega de insumos como o oxigênio e culpou a imprensa: "Tudo é noticiado e apresentado diariamente. Nada disso chega desta forma a nossa população", disse. "Essa é a nossa guerra. A guerra contra as pessoas que estão manipulando nosso país há muitos anos", completou.

O presidente Jair Bolsonaro apoiou protestos feitos no Amazonas, em dezembro, que levaram o governador Wilson Lima (PSC) a desistir do fechamento do comércio. "Sei que a vida não tem preço. Mas não precisa ficar com esse pavor todo", disse Bolsonaro em 28 de dezembro. "Vi que o povo em Manaus ignorou o decreto do governador do Amazonas", completou.

Menos de um mês mais tarde, as aglomerações de fim de ano são apontadas pelo próprio governo local como determinantes para a explosão de internações e mortes.

O ministro ainda afirmou que o governo estuda o impacto da variante da covid-19 que foi identificada em Manaus. "Para descobrir o grau de contaminação, se é alto ou normal. Se causa gravidade maior. Se há impacto nas vacinas que estamos projetando ao país", disse. Pazuello afirmou que não adianta "colocar uma redoma em Manaus", pois a variante já circula no resto do País.

O governo federal disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que soube no dia 8 de janeiro da falta de oxigênio. No dia seguinte, segundo Pazuello, ele e sua equipe embarcaram para Manaus e houve reforço na entrega de insumos.

Ao lado de Pazuello na entrevista desta segunda, o governador Wilson Lima disse que conseguiu, nesta segunda-feira, equilibrar a distribuição de oxigênio. Ele afirmou também que há preocupação sobre nova pressão na rede de saúde em fevereiro, quando aumentam os casos de doenças respiratórias.

Pazuello afirmou que, mesmo com o exemplo de Manaus, o governo federal não deve realizar novas campanhas para incentivar o distanciamento social e outras medidas contra a covid-19. "O ministério já faz campanha sobre isso. E muito abrangentes", disse.

'Tratamento precoce'

A viagem do ministro Pazuello a Manaus, na última semana, ficou marcada pela defesa do uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.

Na entrevista à imprensa nesta segunda-feira, Pazuello irritou-se e disse que jamais elaborou protocolo ou estimulou o uso de qualquer medicamento. Segundo Pazuello, a defesa do governo federal é pelo "atendimento precoce".

No vocabulário do Ministério da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro, porém, este atendimento tem se misturado com a defesa do uso dos fármacos de eficácia contestada. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, Pazuello lançou em Manaus o TrateCOV, aplicativo para médicos que ajuda no diagnóstico e indica o uso da cloroquina e outros medicamentos que são aposta de Bolsonaro contra a covid-19. Em ofício à Secretaria de Saúde de Manaus, o ministério chegou a afirmar que é "inadmissível" não prescrever antivirais contra a covid-19.

"A senhora nunca me viu receitar ou dizer, colocar para pessoas tomarem este ou aquele remédio. Não aceito a sua posição", disse Pazuello, no Planalto, a uma jornalista que questionava sobre estes remédios. Em seguida, o general afirmou que o governo seguirá entregando o medicamento, "quando solicitado" por Estados. "Nunca indiquei medicamentos a ninguém. Nunca autorizei o Ministério da Saúde a fazer protocolos indicando os medicamentos."

Em 22 de outubro, quando estava com a covid-19, Pazuello disse que acordou "zero bala" após tomar o "kit completo", que incluiria hidroxicloroquina, entre outros medicamentos. A declaração foi feita ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que disse: "Se algum médico não quiser receitar a hidroxicloroquina, o que faz?" Pazuello respondeu: "O médico chama outro médico, se o paciente quiser tomar, assina lá o compromisso, receita."

Comente aqui