Data: 18/05/2021 18:33 / Autor: Redação / Fonte: Tribuna de Minas, UOL

Explicação de Araújo sobre viagem de comitiva a Israel difere de ofício do Itamaraty

O ex-chanceler afirmou que o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ligou para o presidente Bolsonaro para fazer o convite para conhecer o spray da Covid


Araújo diz que idia de viagem a Israel foi de Bolsonaro e não explica presença de assessor da presidência na comitiva
Araújo diz que idia de viagem a Israel foi de Bolsonaro e não explica presença de assessor da presidência na comitiva

Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues, questionou o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo a presença de uma comitiva brasileira em Israel entre 7 e 9 de março para acompanhar testes de um spray contra o coronavírus. A viagem não resultou em acordo.

“Foi um telefonema em que o primeiro ministro falou com entusiasmo o medicamento contra a COVID e de um outro medicamento. Não recordo exatamente se ele mandou o presidente enviar uma delegação ou se a ideia surgiu diante do entusiasmo do presidente”, afirmou Araújo.

No entanto, em ofício enviado à bancada do Psol na Câmara dos Deputados, o próprio Itamaraty havia justificado que a viagem havia sido planejada desde maio de 2020 para aprofundar a relação diplomática entre os dois países, principalmente depois da assunção do general Gabi Ashkenazi ao cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Randolfe disse que o documento enviado ao Psol não menciona os medicamentos para COVID. Questionado se quem estaria falando a MENTIRA, Araújo foi curto na resposta: “Nenhum dos dois, senador. São informações que se complementam”, respondeu Araújo.

A viagem foi muito criticada em razão do momento de caos vivido pelo Brasil na pandemia. Questionado pela Câmara se a reunião não poderia ser feita de forma virtual, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a ida a Israel seria importante para se conhecer as pesquisas científicas do país em torno da COVID-19.

"Quando a delegação estava em Israel, soubemos de delegações semelhantes que chegavam com o mesmo propósito. República Tcheca, Áustria, Dinamarca e Chipre... Todos os países são da União Europeia e têm outros mecanismos de pesquisas", disse Ernesto.

Delegação

A delegação contou com 10 pessoas, incluindo os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ), o secretário de comunicação Fábio Wajngarten e o embaixador Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega. A viagem custou R$ 88,2 mil aos cofres públicos, segundo o Itamaraty.

Randolfe Rodrigues também perguntou a Ernesto Araújo o motivo da presença de Max Machado de Moura. “Max Moura é assessor direto do presidente da república”, respondeu Araújo.

Ele não respondeu ao questionamento de Randolfe, sobre o papel do assessor Max Moura, do presidente Jair Bolsonaro, na comitiva brasileira a Israel. Ele apenas afirmou que também não era especialista na área e que mesmo assim participou da viagem.

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