Data: 06/07/2020 09:18 / Autor: / Fonte: ABCdoABC

Ennio Morricone, conhecido por sua arte nas salas de cinema, morre aos 91 anos

O compositor e maestro italiano Ennio Morricone, um dos maiores nomes da música para cinema, morreu nesta segunda-feira, 6, por complicações após cair e quebrar o fêmur


Ennio Morricone, compositor italiano cujas mais de 500 obras acompanham as trilhas sonoras de filmes que vão do ”westerns espaguete” a filmes de romance, horror e ficção científica, morreu em decorrência de consequências após ter quebrado seu fêmur dias atrás e ser internado em uma clínica em Roma, Sua morte foi confirmada por seu advogado, Giorgio Assumma. Em uma declaração, Assumma disse que o compositor “morreu no dia 6 de julho em Roma, com o conforto da fé. Ele preservou até o momento final plena lucidez e grande dignidade. “Ele se despediu de sua amada esposa Maria, que o acompanhou com dedicação em todos os momentos de sua vida humana e profissional e esteve perto dele até seu último suspiro, e agradeceu aos filhos e netos pelo amor e carinho que lhe deram. Ele fez uma lembrança comovente de seu público, cujo apoio afetuoso sempre o capacitava a extrair forças para sua criatividade”. O funeral será privado “em respeito pela humildade que sempre caracterizou a sua existência”, informou o advogado da família.

Prematuro, Morricone pegou a trombeta e escreveu sua primeira composição aos seis anos. Estudou música clássica e começou a escrever partituras para teatro e rádio. Contratado como arranjador pela gravadora RCA na Itália, começou a escrever para artistas pop e suas músicas se tornaram hits de Paul Anka, Françoise Hardy e Demis Roussos  Colaborou com o Pet Shop Boys e fez um trabalho de vanguarda para atravessar fronteiras com o Gruppo di Improvvisazione di Nuova Consonanza, um coletivo de compositores experimentais e improvisados.

TRILHAS DE FILMES

Cinéfilos ou apaixonados pela música, conhecem e cantam suas músicas, trilhas sonoras de grandes filmes, de variados gêneros e diretores como Michelangelo Antonioni, Vittorio de Sica e Dino Risi. Foi com Sergio Leone, antigo colega de escola com quem manteve uma importante e frutuosa parceria, que conquistou reconhecimento e construiu o título de compositor fundamental da história do cinema. A dupla marcada e associada ao género western spaghetti, deixa indelével associação, não apenas pela música, mas também pela sonoplastia que Morricone supervisionava.

Autor de mais de 500 músicas para cinema e 100 peças clássicas, entre as quais melodias como a que criou para o filme “O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), também de Sergio Leone, protagonizado por Clint Eastwood. A “Trilogia dos Dólares”, como ficou conhecida — que inclui “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por Mais Alguns Dólares” (1965) e “O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), todos protagonizados por Clint Eastwood, transformaram-se em clássicos absolutos e sucessos de bilheteira. O último dos três é o filme que revelou ao mundo “The Ecstasy of Gold”, uma das composições de maior sucesso de Morricone, adaptada e apropriada inúmeras vezes, provavelmente as mais conhecidas são da responsabilidade dos Ramones e dos Metallica, bandas que usavam o tema como abertura e fechamento de seus shows.

Hitchcock, Nino Rota e Fellini, Bertolucci, Brian De Palma, Rolland Joffé, Pasolini, Terrence Malick, Barry Levinson, Mike Nichols ou Tarantino são alguns dos diretores que têm a obra de Morricone em suas produções.

Com Tarantino conquistou o Oscar da Academia, em 2016, para Melhor Banda Sonora Original, nove anos após ter recebido o Oscar Honorário das mãos de Clint Eastwood. Entre suas premiações, três Grammys, quatro Globos de Ouro, seis BAFTAS, 10 prémios David di Donatello, 11 Silver Ribbons, dois European Film Awards, um Leão de Ouro de carreira e um Polar Music Prize e em 2020 foi agraciado com o Prémio Princesa das Astúrias das Artes, juntamente com o norte-americano John Williams, “por terem enriquecido centenas de filmes com o seu talento”, segundo o júri.

Crédito: Getty Images

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