Data: 01/07/2016 14:14 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Empresário investigado morreu por envenenamento

O empresário Paulo César de Barros Morato, investigado na Operação Turbulência, morreu por envenenamento com pesticida - veneno conhecido como chumbinho


Paulo César de Barros Morato, 48 anos, foi encontrado morto nesta quarta-feira (22), em um motel de Olinda (PE)
Paulo César de Barros Morato, 48 anos, foi encontrado morto nesta quarta-feira (22), em um motel de Olinda (PE)

O corpo foi encontrado no dia 22 de junho em um motel de Olinda (PE), A causa da morte foi divulgada nesta quinta-feira, 30 pela Polícia Civil de Pernambuco.

Morato, de 47 anos, estava foragido e era procurado pela Polícia Federal na Operação Turbulência, que investiga esquema de lavagem de dinheiro envolvendo 18 contas bancárias de empresas usadas para pagamento de campanhas eleitorais do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) em 2010 e 2014. O esquema movimentou R$ 600 milhões, segundo as investigações.

Morato era dono da empresa que comprou o avião que transportava Campos quando caiu em Santos, no litoral paulista, matando o então candidato à Presidência da República, em 13 de agosto de 2014.

O exame das vísceras de Morato - cujo corpo permanece no Instituto Médico-Legal do Recife e ainda não foi reclamado pela família - apontou quadro de "intoxicação exógena por organofosforado".

Laudos

Os peritos ainda trabalham em oito laudos sobre o caso, que devem ser concluídos nos próximos dias para determinar o local exato do envenenamento e por que o empresário estava no motel. Segundo o governo de Pernambuco, administrado por Paulo Câmara (PSB), a Polícia Civil agora trabalha para descobrir se Morato foi envenenado ou se cometeu suicídio. Pode ter sido suicídio, pelo desespero de quem se viu flagradoou pode ter sido homicídio, por quem não quis ser flagrado.

A Polícia Federal acompanha o caso. Morato era dono da Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem, empresa titular de contas nas quais foram depositados pela empreiteira OAS, segundo a PF, os R$ 18 milhões usados para pagar o Cessna Citation que caiu em Santos.

A Operação Turbulência, iniciada em janeiro, efetuou prisões e apreensões baseadas em levantamentos de informações e provas coletadas também na Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Morato, pessoa de vida aparentemente modesta, tinha uma movimentação de R$ 24,5 milhões em suas contas.

R$ 18 milhões vindos da OAS pelo suposto aluguel de máquinas para obras de transposição do São Francisco e da refinaria Abreu e Lima, a serviço de empreiteira. Detalhe: com uma empresa sem sede, sem pátio e, ao que se sabe, sem máquinas.

.

Comente aqui