Data: 11/06/2021 14:16 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Em crise, Patriota pode ter convenção anulada

A briga no Patriota ganhou mais um capítulo e virou uma crise política que bate à porta do Palácio do Planalto


Adilson Barroso, presidente do Patriota quer confirmar convenção para abrigar Bolsonaro em sua candidatura para segundo mandato
Adilson Barroso, presidente do Patriota quer confirmar convenção para abrigar Bolsonaro em sua candidatura para segundo mandato

Crédito: Marcos Corrêa/PR

Agora, em um despacho de apenas duas folhas, o Cartório do Primeiro Ofício de Notas do Distrito Federal abriu caminho para anular a polêmica convenção do partido, realizada no último dia 31. Bolsonaro negocia a filiação ao Patriota para abrigar sua candidatura ao segundo mandato, em 2022, e já chamou uma reunião com aliados, na próxima semana, para avaliar o seu destino político.

A nota de exigência emitida ontem pelo cartório diz que a cúpula do partido deve apresentar em 30 dias documentos para provar que houve quórum qualificado na convenção que mudou o estatuto e deu sinal verde à filiação de Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio. Dias antes da convenção, o presidente do Patriota, Adilson Barroso, já havia destituído quatro delegados, fazendo as substituições dos dirigentes por nomes simpáticos a seu plano de acordo com ação que o grupo dissidente encaminhou à Justiça.

O vice-presidente do Patriota, Ovasco Resende, foi um dos que assinaram a petição contra o que chamou de "golpe" promovido por Barroso para filiar a família Bolsonaro. "Entendemos que as manobras feitas pelo atual presidente do partido não atendiam a legislação vigente, tornando a suposta convenção nula de pleno direito", disse Resende.

Para registrar a ata da convenção do dia 31, o cartório faz nove exigências. Entre elas está "esclarecer a eventual não satisfação de quórum qualificado para instalação e deliberação acerca da 'adequação e alteração do estatuto nacional do Patriota'". Além disso, a nota pede ao partido que, "caso tenha havido eventual destituição de algum delegado eleito para mandato de quatro anos, na Assembleia de 07/11/2018", apresente documentação correspondente às substituições.

Na prática, desde que Bolsonaro fracassou na tentativa de pôr de pé o Aliança pelo Brasil e anunciou o namoro com o Patriota, após tentar entrar em outros oito partidos, o racha ali só tem aumentado. Ao mesmo tempo, quase 30 dos 52 deputados da bancada do PSL - antiga sigla do presidente - ameaçam deixar a legenda e acompanhá-lo na nova casa, que hoje vive um imbróglio jurídico.

Flávio já assinou a ficha de filiação no Patriota, mas Bolsonaro ainda não. Ao que tudo indica, a briga ainda terá muitos episódios nessa temporada que antecede a eleição de 2022.

De um lado, a cúpula do PSL não está disposta a perder estrutura dinheiro e cargos de liderança na Câmara, como deve ocorrer se a debandada se concretizar. De outro, uma ala do Patriota promete ir até o fim na disputa judicial pelo comando do partido que também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"O atual presidente do Patriota usou a vinda da família Bolsonaro para dar um golpe no partido", afirmou o secretário-geral do Patriota, Jorcelino Braga, numa referência a Barroso. "Mas vamos até a última instância da Justiça. Todos nós temos mandato de quatro anos, até 2022".

Barroso nega as irregularidades apontados pelos dirigentes. "Estou tentando acalmar os correligionários. É melhor um mau acordo do que uma boa briga", resumiu. O Estadão apurou que aliados de Barroso já admitem até mesmo fazer outra convenção. "Só tem uma coisa: o estatuto diz que os delegados têm mandato, mas podem ser trocados a qualquer momento. Espero que dê tudo certo porque trazer Bolsonaro para o Patriota é um grande milagre. O problema é que esse pessoal do racha está apavorado, não quer dividir o doce de leite em dez", provocou Barroso. 

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