Data: 08/08/2020 13:18 / Autor: Isabela Richetti / Fonte: ABCdoABC

Covid-19 não é o único mal em 2020

Casos de racismo e machismo também estão ficando muito evidentes nesta pandemia.


Crédito: @moviafilmes

Estamos vivendo numa pandemia, ainda mantendo o máximo de isolamento possível, poupando nossas vidas e as das pessoas que estão ao nosso redor, para que as quase 100 mil mortes que já foram contabilizadas no Brasil desde o dia 17 de março e as mais de 19,2 milhões de  pessoas contaminadas pela doença no mundo não aumente de forma drástica. Mas o vírus não é o único problema grave que estamos convivendo. 

Negros e o vírus

Em um estudo realizado pela Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde da PUC- RJ, foram analisados 29.933 casos com óbito ou recuperação da covid-19. Dos pacientes negros, quase 55% morreram pela doença, enquanto, entre pessoas brancas, esse valor ficou aproximadamente em 38%. Em entrevista, a doutora de Saúde pública, professora e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, Emanuelle Góes, explica o motivo do coronavírus ser mais fatal para estas pessoas: “Negras e negros sofrem o impacto do racismo estrutural, e com isso apresentam os piores indicadores sociais e de saúde. Neste sentido o cenário já é desfavorável”. 

Sabendo disso, não é muito complicado entender o motivo de negros estarem morrendo muito mais com a pandemia, visto que, não é de hoje que as oportunidades não são colocadas de forma igual entre pessoas brancas e pretas que sofrem com diferenças relacionadas à escolaridade, moradia, saúde e respeito.

Racismo além da pandemia 

No Brasil e no mundo todo, situações de racismos são divulgadas e geram revoltas na população, sendo comum ver notícias de mortes de crianças negras que só estavam brincando ou estudando. 

Nesta quarentena um dos casos inesquecíveis e que trouxe à tona vários protestos e reivindicações por maiores direitos aos negros no mundo todo foi a morte de George Floyd de 46 anos, asfixiado por um policial em Minnesota, Estados Unidos. 

Casos similares também ocorreram aqui no Brasil e mesmo que expostos, não deixaram de acontecer. 

“Foi por que o seu pai te deu, ou por que você trabalhou?”

Nesta última sexta-feira (07/08) Matheus Pires, de 19 anos, que faz entregas pelo aplicativo Ifood, em Valinhos - SP foi mais uma vítima de racismo. O jovem que havia ido fazer uma entrega na casa do contabilista Mateus Abreu Almeida Prado Couto, de 31 anos, teve problemas com interfone do local gerando assim atraso da entrega. Esse foi o motivo para que Couto começasse a inferiorizar Pires dizendo que ele tinha inveja de sua cor branca. Mas, o entregador não ficou calado e mostrou que tinha muito orgulho do que era e do trabalho que fazia dizendo a frase: “Foi por que o seu pai te deu, ou por que você trabalhou?”.  Segundo o Ifood, postado em sua página do Twitter, o contabilista foi expulso do aplicativo. 

O preconceito contra as mulheres

Outro problema que está muito mais evidente nesta pandemia é o machismo. Ele sempre ocorreu em nossa sociedade, seja por oportunidades de emprego melhores, salários mais altos, voz ativa em cargos importantes, desrespeito ao corpo e ao sentimento da mulher e no fato de acreditarem que a mulher é mais frágil que o homem. 

Passando mais tempo em casa e mantendo o isolamento social muitas mulheres acabaram sendo prejudicadas com relação aos homens que estão nas mesmas casas que elas. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a quantidade de denúncias de violência contra as mulheres recebidas pelo número 180 cresceu quase 40% se comparar o mês de abril de 2020 e 2019.

O machismo não está apenas nas ruas, ou nas empresas, ele pode estar dentro de casa e a superioridade que ele impõe afeta vidas e comportamentos.   

Muito além de um vírus

A Covid-19 não é o único fator de medo em 2020 e casos de preconceitos ainda acontecem todos os dias. Ficar calado perante a esses acontecimentos não é uma opção. Está na hora de procurar, também, uma vacina para este mal.  

Crédito: @Stockgiu

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