Data: 23/10/2020 19:26 / Autor: Izabel Rufino / Fonte: Agência Brasil

Compra de alimentos toma 26% da renda das famílias mais pobres

Para as famílias com maior poder aquisitivo, a compra de produtos alimentícios representa apenas 5% dos rendimentos


Desigualdade também reflete na qualidade e variedade dos produtos comprados
Desigualdade também reflete na qualidade e variedade dos produtos comprados

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

No Brasil, os preços dos alimentos estão cada vez mais altos, principalmente levando em consideração a pandemia que assola todo o mundo. Além disso, as famílias com situações financeiras mais complicadas precisam desembolsar grande parte do salário mensal na compra destes insumos. Inclusive, é sobre isso que trata o Estudo sobre a Cadeia de Alimentos.

Antes dos dados principais, é necessário dizer que o estudo foi feito pelo economista Walter Belik, em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com apoio do Instituto Ibirapitanga e do Instituto Clima e Sociedade. Pois bem, segundo as informações da pesquisa, o Brasil é o país onde apenas o gasto das famílias mais ricas com alimentação é 165,5% maior do que a renda total de famílias mais pobres.

Ou seja, apenas com a informação anterior já deu para notar o tamanho da desigualdade vivida no país. Além disso, entre os que contam com um maior poder aquisitivo, o valor desembolsado na compra de alimentos representa um total de 5% dos rendimentos. Em contrapartida, as pessoas mais pobres precisam destinar mais de um quarto (26%) do que ganham para comprá-los.

Essa diferença de orçamento x gastos também traz um outro problema à tona, que é a questão da qualidade, bem como variedade, dos produtos alimentícios comprados e consumidos. Enquanto as famílias mais ricas gastam, em média 627% a mais em alimentos do que as famílias mais pobres, além de contarem com uma renda 32,5 vezes maior, acabam investindo em alimentos mais sofisticados.

Por fim, as referências para o estudo foram os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-18), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ademais, as informações foram cruzadas com as de outras bases, como a da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

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