Data: 18/06/2021 22:00 / Autor: Redação / Fonte: Os Negos do Outro Lado

Caio Evangelista lança o livro “Os Negos do Outro Lado”

Leci Brandão apresenta a obra de realismo fantástico que trata de racismo e outras formas de discriminação com o Rio São Francisco como cenário para toda a trama


Crédito: Divulgação

Se a pandemia trouxe grandes mudanças tecnológicas, o desrespeito às diferenças insiste em permanecer. São ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem, direta ou indiretamente, o preconceito racial. Um processo que atinge tão duramente a população negra. De acordo com a última Pesquisa PoderData, 81% dos brasileiros dizem haver preconceito contra negros no país por causa da cor da pele.  Para chamar atenção para essa questão e outras formas de segregação, o autor Caio Evangelista, apresenta o romance de realismo fantástico, “Os Negos do Outro Lado".

O livro narra em prosa poética, um Brasil real muitas vezes violento e embrutecido, ao mesmo tempo, um lugar mágico com personagens contraditórios e complexos da Quilombola de Jatobá construídos nas margens do Rio São Francisco. Uma comunidade que vive em conflitos étnicos, raciais e superstições e ainda hoje, sem leis e à mercê de crimes, delitos e injustiças que, muitas vezes, só podem ser vistos pelos que conseguem enxergar para além das invisibilidades da sociedade brasileira, principalmente quando se trata de negros e pobres.

“Eu vi o Brasil assim, dual, separado por um rio, polarizado e voltando ao passado com as políticas e programas regredindo, então imaginei uma ponte que unisse o povo, então a imagem de Juazeiro e Petrolina me veio a mente, nasci nessa região e fui costurando, alinhavando. Aquela gente deve ser revelada por suas complexidades, estranhezas, belezas, violências sofridas, abandonos e ao mesmo tempo sua dual felicidade”, revela Caio Evangelista.

Em “Os Negos do Outro Lado”, o nosso herói, Raimundo, nos leva nas águas do Rio São Francisco na busca da história do Brasil e dos brasileiros durante 200 anos. Ele também nos apresenta o simpático casal de comentaristas da vida cotidiana, Redonda e Dimas; esses dois destilam o relato da crônica da Povoação do Jatobá (hoje Petrolina – PE) ao decorrer da história, e nos contam todas as anedotas sobre os demais personagens: as verdadeiras e imaginadas também.

Ao contar as histórias e tantas vezes deformá-las, o narrador nos leva a identificar nos Raimundos as suas ambiguidades, postas nas bocas de Dimas e Redonda envoltas de misticismo, poesia e realidade nua e crua. É às margens do rio São Francisco uma série de acontecimentos mágicos ligando as personagens, num formato alternativamente teatral e narrativo, nos instiga a saber dos animais, da natureza e das coisas do povo deste e do outro lado, que fizeram memória e formaram uma povoação.

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